O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre o novo processo de lay-off anunciado pela Coindu, empresa sediada em Vila Nova de Famalicão e especializada na produção de capas para assentos automóveis de marcas como Lamborghini, Audi, BMW, Porsche, Ford, Mini e Suzuki.
Segundo o partido, a medida deverá decorrer entre maio e novembro de 2026 e poderá abranger até 493 trabalhadores, num universo de 752 funcionários.
A administração da empresa justificou a decisão com a quebra de encomendas no setor automóvel e com os efeitos da conjuntura internacional, nomeadamente tensões comerciais e conflitos geopolíticos.
Na pergunta dirigida ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o Bloco de Esquerda recorda que a empresa tem registado vários processos de redução de postos de trabalho nos últimos anos.
O partido refere que, em novembro de 2024, a Coindu encerrou a unidade de produção de Arcos de Valdevez, despedindo 350 trabalhadores. Já em maio de 2025, avançou com o despedimento de 123 funcionários e aplicou lay-off a outros 237.
Segundo o BE, em outubro de 2025 tornou-se ainda pública a intenção da empresa avançar com um novo despedimento coletivo, o terceiro em menos de um ano.
Os bloquistas consideram que “o recurso ao lay-off não pode transformar-se num mecanismo de transferência dos custos da crise para os trabalhadores e para a Segurança Social”, defendendo que a empresa tem vindo a adotar medidas que resultam “na destruição continuada de emprego” e na degradação das condições laborais.
Na iniciativa parlamentar, o partido questiona o Governo sobre o acompanhamento que está a ser feito ao processo e pede esclarecimentos relativamente às garantias de proteção dos direitos laborais, salariais e sociais dos trabalhadores abrangidos.
O Bloco de Esquerda pergunta ainda se o Executivo tem conhecimento de eventuais intenções futuras de despedimento coletivo ou encerramento parcial de setores da empresa após o período de lay-off.
Entre as questões colocadas ao Governo estão também as medidas previstas para impedir o recurso sucessivo a despedimentos coletivos e lay-off sem alternativas de manutenção do emprego, bem como os apoios destinados às famílias afetadas no concelho de Vila Nova de Famalicão.
O partido quer igualmente conhecer a estratégia do Executivo para a defesa do emprego industrial e da produção nacional no setor automóvel e dos componentes, perante a atual desaceleração económica internacional.






