A Espanha tornou-se dos países a defender mais abertamente a possibilidade da criação de um exército europeu, com o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, a pedir uma maior independência militar da Europa face aos Estados Unidos.
Albares considera que os países europeus já não podem continuar dependentes das decisões políticas de Washington, especialmente num contexto marcado pela política externa imprevisível de Donald Trump e pelas dúvidas em torno do futuro da NATO.
“Não podemos acordar todos os dias a perguntar-nos o que os Estados Unidos vão fazer a seguir”, afirmou o ministro espanhol em declarações ao Politico. “Os nossos cidadãos merecem algo melhor.”
A invasão russa da Ucrânia voltou a colocar em cima da mesa uma antiga ambição europeia: a criação de uma força militar verdadeiramente europeia.
O tema ganhou ainda mais força devido às posições internacionais de Donald Trump, que têm provocado preocupação entre vários governos europeus relativamente ao futuro da NATO e à fiabilidade do apoio militar norte-americano.
Atualmente, 24 dos 27 Estados-membros da União Europeia fazem parte da NATO, representando cerca de 75% da aliança atlântica.
José Manuel Albares defende que a Europa deve libertar-se da dependência externa para evitar pressões políticas, económicas ou militares.
O ministro espanhol afirmou que “libertar-se da dependência significa libertar-se da coerção”, referindo-se tanto a tarifas comerciais como a ameaças militares.
Albares considera que este é “o momento da soberania e da independência da Europa”, acrescentando que a própria administração Trump está a empurrar os europeus para essa mudança estratégica.
Apesar disso, o chefe da diplomacia espanhola sublinhou que continua a considerar os Estados Unidos como “o aliado natural e histórico” da Europa.
O debate sobre um exército europeu tem vindo a ganhar força nos últimos anos, sobretudo após o início da guerra na Ucrânia e o aumento das tensões geopolíticas globais.
As declarações de Albares refletem uma preocupação crescente entre vários líderes europeus sobre a necessidade de reforçar a autonomia estratégica da União Europeia, tanto ao nível militar como político.
Com Executive Digest






