A presidente do conselho de administração dos Serviços Municipalizados de Viana do Castelo (SMVC)acusou esta quarta-feira a empresa Resulima de “não estar a fazer o seu trabalho” de recolha de resíduos urbanos.
Carlota Borges, que é também vereadora da Coesão Social, Habitação, Juventude e Serviços Urbanos no Executivo municipal, respondia à bancada do PSD, na sequência da adjudicação, esta quarta-feira em reunião camarária, da aquisição, por lotes, de dois equipamentos combinados para os SMVC por um valor global de cerca 570 mil euros.
Os três vereadores do PSD votaram favoravelmente a proposta “por reconhecer a necessidade urgente de reforço e modernização dos equipamentos de recolha de resíduos dos SMVC, no entanto, alertaram para a degradação visível da qualidade do serviço de recolha e limpeza urbana no concelho, situação que tem sido cada vez mais sentida pela população”.
“Com a aproximação do período de verão, com aumento significativo da população e da pressão turística, consideramos essencial garantir reforço operacional, planeamento e capacidade de resposta adequada por parte dos SMVC”, acrescentaram.
Na resposta, a vereadora Carlota Borges frisou “ser incomportável para os SMVC continuarem a substituir a Resulima na recolha do plástico e cartão”.
“A Resulima não está a fazer o seu trabalho. Não está. Diariamente somos alertados para ecopontos cheios de plástico e de cartão em praticamente todas as freguesias. É incomportável para os serviços municipalizados, com todo o trabalho que têm de fazer diariamente, ter ainda de recolher plástico e cartão. Não é possível”, sustentou.
FALTA DE CIVISMO
A autarca adiantou que os SMVC “têm feito o melhor que podem e, muitas vezes, substituindo a Resulima”.
“Por outro lado, é também necessário perceber que alguma coisa não está bem. A Resulima, neste momento, não está a fazer o trabalho como deve ser”, referiu.
A responsável destacou também “muita falta de civismo”, adiantando “não ser por um acaso que nos SMVC já foram levantados mais de 150 autos por deposição indevida de resíduos” este ano, coisa que “nunca aconteceu em anos anteriores”.
A vereadora referiu que nos últimos 15 dias foram encontrados monos e monstros nos contentores, “situação que nunca antes aconteceu nesta altura do ano, costuma acontecer durante o mês de junho”.
“Temos recebido chamadas, diariamente, das freguesias a dizer que têm uma mobília de uma sala, colchões, entre outros. Isto não é possível. As pessoas vão ter de perceber que este tipo de resíduos não pode ser depositado nos contentores e há um número para o qual podem ligar para que os serviços façam a recolha”, disse.
“MODELO NÃO FUNCIONA”
Também o presidente da Câmara, Luís Nobre, disse sentir-se “impotente, apesar de integrar o conselho de administração da Resulima”, empresa que serve os concelhos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, Esposende e Barcelos, no distrito de Braga.
“É um modelo que não favorece os munícipes. Para mim é como uma espécie de colete de forças, por não poder fazer nada”, sublinhou o autarca socialista.
Luís Nobre adiantou que “as campanhas de sensibilização continuam a ser feitas, incluindo nas escolas, mas que há todo um trabalho que é preciso intensificar e as entidades que têm essa responsabilidade têm de melhorar”.
“É algo que repetimos em todas as reuniões do conselho de administração da Resulima. Eu sinto-me impotente, como eu, o presidente da Câmara de Barcelos e outros presidentes que fazem parte dos órgãos da empresa. Insistimos e insistimos. Somos, muitas vezes, até, deselegantes porque não é simpático estarmos a ter uma atitude de reivindicação, de discussão, sempre do mesmo problema”, frisou.
O autarca socialista acrescentou que as reuniões podiam servir para “discutir outros assuntos como, por exemplo, a subida, o incremento astronómico, das tarifas cobradas pela Resulima”.
“Eu prefiro não estar no conselho de administração porque me incomoda, todos os dias, falar da mesma coisa. Não faz sentido. Este modelo não funciona”, disse.





