Bloco de Esquerda questionou o Ministério da Saúde sobre os alegados constrangimentos no funcionamento da Unidade Local de Saúde de Braga, na sequência de informações tornadas públicas através de uma carta aberta e de denúncias do Sindicato dos Médicos do Norte.
Em comunicado, o partido refere que as situações reportadas estarão relacionadas com a transição do sistema de registo clínico GLINT para o SClinic, processo ocorrido há cerca de dez meses e que, segundo o BE, continua a gerar “constrangimentos operacionais com impacto na atividade assistencial”.
De acordo com o comunicado, têm sido registadas “dificuldades na gestão de consultas, nomeadamente episódios de consultas não agendadas, não realizadas ou sem profissional de saúde atribuído”, bem como limitações no agendamento de exames e meios complementares de diagnóstico e terapêutica.
O Bloco de Esquerda refere ainda que existem relatos de exames realizados “sem relatório disponível em tempo útil, implicando a sua eventual repetição”, situação que, segundo o partido, poderá traduzir-se em “custos para o utente e para o SNS”.
Entre os problemas apontados estão também dificuldades no acesso a registos clínicos anteriores, “em alguns casos não recuperáveis”, assim como constrangimentos na organização das agendas clínicas, com possíveis sobreposições, inconsistências administrativas e dificuldades na referenciação interna de utentes.
“No entendimento dos profissionais, estas situações poderão ter implicações na continuidade e qualidade dos cuidados prestados”, lê-se no comunicado.
DIFICULDADES NO REGISTO DE INTERVENÇÕES
O partido alerta igualmente para problemas ao nível da atividade cirúrgica, referindo “dificuldades no registo e planeamento de intervenções” e limitações na gestão da capacidade instalada, incluindo camas de internamento, com “eventuais repercussões na programação e realização de cirurgias”.
Segundo o BE, têm sido também reportadas situações de adiamento ou cancelamento de procedimentos cirúrgicos, incluindo casos considerados de maior complexidade, “como por exemplo, casos oncológicos”.
O comunicado menciona ainda a saída de profissionais de especialidades como dermatologia, radiologia e gastrenterologia, situação que, segundo o partido, “está já a ter implicações na resposta assistencial, devido à redução de equipas”.
Perante este cenário, o deputado Fabian Figueiredo entregou um conjunto de perguntas na Assembleia da República dirigidas ao Ministério da Saúde.
O Bloco de Esquerda pretende saber se o ministério tem conhecimento das situações descritas e quais as medidas previstas “para assegurar a fiabilidade e estabilidade dos sistemas de informação clínica”, bem como que acompanhamento está a ser feito relativamente à atividade cirúrgica, às listas de espera e à utilização da capacidade instalada da ULS de Braga.






