A Ucrânia rejeitou a trégua anunciada pela Rússia para o Dia da Vitória, depois de acusar Moscovo de violar repetidamente o cessar-fogo nas últimas horas.
A pausa de 24 horas decretada por Kiev pretendia testar a viabilidade de uma interrupção temporária das hostilidades, numa altura em que Moscovo propunha um cessar-fogo coincidente com o desfile militar que assinala a vitória soviética sobre a Alemanha nazi.
No entanto, segundo as autoridades ucranianas, a resposta russa foi o oposto: bombardeamentos em áreas urbanas e uma escalada de ataques com drones e artilharia.
De acordo com Kiev, foram registadas mais de 1.800 violações do cessar-fogo só durante a manhã, incluindo ataques aéreos e operações no terreno.
Já Moscovo acusa a Ucrânia de ter quebrado a trégua com ofensivas na Crimeia anexada e na região russa de Bryansk, alimentando uma disputa paralela feita de versões contraditórias.
Nas redes sociais, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky denunciou a alegada recusa russa em cumprir o cessar-fogo e garantiu que irá decidir os próximos passos com base nos relatórios das forças no terreno.
Antes mesmo da quebra da trégua, Kiev já admitia a possibilidade de atingir o desfile militar em Moscovo, sinal de que a tensão estava longe de abrandar.
Entre os ucranianos, cresce a perceção de que gestos unilaterais têm pouco impacto. Alguns defendem uma resposta semelhante à russa, enquanto outros acreditam que Moscovo só recua perante demonstrações de força.
Entretanto, os serviços de informação ucranianos indicam que o Kremlin está a reforçar a defesa da capital, com a transferência de sistemas de defesa aérea de outras regiões para Moscovo. Um sinal claro de preocupação com possíveis ataques durante as celebrações do Dia da Vitória, num momento em que até o tradicional aparato militar na Praça Vermelha já foi reduzido face às ameaças.
Com SIC






