Cerca de 1.500 navios e as respetivas tripulações continuam retidos no golfo Pérsico devido ao bloqueio imposto pelo Irão no estreito de Ormuz, afirmou hoje um responsável da Organização Marítima Internacional (OMI).
“Neste momento, temos cerca de 20.000 tripulantes e cerca de 1.500 navios retidos”, declarou Arsenio Dominguez, secretário-geral da agência da ONU encarregue pela segurança marítima, por ocasião da abertura da Convenção Marítima das Américas na capital do Panamá.
“São pessoas inocentes que desempenham o seu trabalho diariamente em benefício dos restantes países” e “que se veem apanhadas em situações geopolíticas que lhes são alheias”, acrescentou Dominguez durante o evento que reuniu líderes da indústria e organismos internacionais do setor marítimo.
IRÃO ASSEGURA APOIO
As declarações do secretário-geral da OMI surgem um dia depois da Organização Marítima e Portuária do Irão ter manifestado “total disponibilidade” para fornecer serviços como mantimentos, combustível e assistência médica, bem como artigos autorizados necessários para reparações, de acordo com um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal IRNA.
Desde o início da guerra no Médio Oriente, desencadeada por uma ofensiva israelo-americana a 28 de fevereiro, Teerão controla o estreito de Ormuz, estratégico para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
As autoridades iranianas anunciaram igualmente que os portos estavam “totalmente preparados” para prestar serviços marítimos e médicos, bem como assistência técnica, a embarcações comerciais no estreito de Ormuz e águas adjacentes.
A entidade enfatizou que o anúncio reflete o apoio de Teerão à “passagem segura e sustentável dos navios mercantes por um dos pontos-chave” do comércio marítimo global.
A mensagem iraniana surgiu após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter decidido suspender a sua iniciativa ‘Projeto Liberdade’, que visava facilitar a libertação de navios retidos no estreito de Ormuz, alegando progressos nas negociações entre os dois países.
O governante norte-americano frisou que os dois lados tiveram “conversas muito positivas nas últimas 24 horas”, admitindo um acordo iminente para pôr fim ao conflito.
Washington mantém, no entanto, um bloqueio aos portos iranianos, imposto a 13 de abril, cinco dias após a entrada em vigor do cessar-fogo entre os Estados Unidos e a República Islâmica.
O bloqueio da navegação na região tem tido consequências a nível internacional devido à instabilidade causada nos preços do petróleo, por um quinto da produção de hidrocarbonetos passar pelo estreito de Ormuz.
Uma coligação de mais de 40 países está a estudar a realização de uma operação de segurança no estreito, com a França a enviar na quarta-feira o porta-aviões “Charles de Gaulle” e a sua escolta para o golfo Pérsico.
O bloqueio da passagem estratégica foi uma das reações do Irão à ofensiva israelo-americana, sendo a outra os ataques a países da região.






