O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, endureceu esta segunda-feira o tom em relação ao Partido Socialista na polémica sobre a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos, acusando os socialistas de terem alterado a sua posição política sobre o tema e de promoverem um “aproveitamento político” de um processo que, segundo afirmou, já tinha sido amplamente esclarecido em sede parlamentar.
Em declarações aos jornalistas antes de ser ouvido na Assembleia da República, Paulo Rangel insistiu que os principais responsáveis políticos tinham conhecimento prévio das circunstâncias relacionadas com a autorização concedida para o uso da infraestrutura militar nos Açores.
O governante sublinhou que o assunto foi discutido “juntamente com outros líderes da oposição, com o Presidente na altura em funções e com o Presidente eleito”, acrescentando que os deputados socialistas tiveram igualmente acesso a todos os detalhes durante audições parlamentares realizadas “primeiro à porta aberta e depois à porta fechada”.
POSTURA DO PS “INACEITÁVEL”
O ministro considerou “inaceitável” a postura recente do PS, argumentando que ela representa uma rutura com a tradição política do partido nesta matéria. Segundo Paulo Rangel, “toda essa discussão foi feita” e “todas as explicações foram dadas”, incluindo informação sobre as negociações então em curso entre os Estados Unidos e o Irão até 26 de fevereiro.
O chefe da diplomacia portuguesa questionou ainda a mudança de posição dos socialistas, recordando que o secretário-geral do PS teria afirmado, “logo na primeira semana de março”, concordar com os termos da autorização concedida por Portugal.
Questionado sobre alegadas contradições nas suas próprias declarações relativamente à necessidade de autorização portuguesa para o uso da Base das Lajes, Paulo Rangel respondeu que estão a ser confundidos dois momentos distintos. “Uma coisa é antes do ataque e outra coisa é depois do ataque”, afirmou.
“TUDO ESCLARECIDO”
O ministro explicou que, antes do início do conflito, a utilização da base seguia o mesmo regime aplicado noutras infraestruturas militares europeias, incluindo bases em Espanha e Itália, através de “autorizações tácitas”. Já depois do ataque, garantiu, existiu “uma autorização formal” por parte de Portugal.
Confrontado com a interpretação de que Portugal teria dado autorização aos norte-americanos antes mesmo de conhecer o objetivo concreto da operação, o ministro relativizou o sentido literal dessas declarações.
“Cada um faz as interpretações que quer”, afirmou, acrescentando que não considera que as palavras tenham sido ditas “literalmente”.
Defende que todos os países europeus seguiram a mesma doutrina relativamente ao uso das bases militares até ao dia 27 de fevereiro, véspera do ataque em causa.
Paulo Rangel mostrou-se também disponível para regressar ao Parlamento já na próxima quarta-feira, apesar de reconhecer que enfrenta “uma agenda internacional complicada” nas próximas semanas.
O ministro garantiu que pretende prestar esclarecimentos “à porta aberta”, defendendo que “não há nenhum elemento de confidencialidade” no caso.
“Está tudo esclarecido”, concluiu.






