Considerando “inaceitável” a decisão da Coidu em colocar em lay-off cerca de 493 operários da fábrica de Joane, em Famalicão, o PCP questionou a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre a decisão da empresa que alega diminuição das encomendas no sector automóvel e os fundos públicos que recebeu.
A Direção Regional de Braga (DORB) do partido lembra à ministra Maria do Rosário Palma Carvalho que a Coidu, agora detida pelo grupo italiano Mastrotto, recebeu apoios públicos e que, em resposta, “salvaguardou os seus lucros através dos fundos da segurança social, com o uso abusivo de lay-off”.
“Depois de anos a trabalhar para produzir a riqueza da empresa, os trabalhadores são novamente a parte fragilizada de uma política que, entre os lucros ou os postos de trabalho, opta pela primeira”, denuncia o PCP, sublinhando que a decisão da multinacional “é inaceitável”.
FUNDOS DO PRR E APOIO PÚBLICOS
No documento remetido à governante, os comunistas querem, em primeiro lugar, saber se Governo conhecimento deste layoff e como acompanha este processo, e se empresa continua a receber apoios públicos e quais os valores envolvidos.
Querem ainda que Maria do Rosário Palma Carvalho diga se tem conhecimento dos “lucros obtidos pela unidade da empresa em Joane e dos resultados líquidos positivos”.
Questionam igualmente a ministra sobre as medidas tomadas pelo Governo para garantir a defesa dos postos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores, “considerando a atribuição de apoios públicos a esta empresa”.
Por fim, o PCP pergunta que medidas serão tomadas pelo Governo em defensa dos interesses e dos direitos dos trabalhadores sujeitos ao lay-off.
HISTORIAL DE DESPEDIMENTOS
No documento, o partido recorda que a Coindu, fábrica de componentes têxteis para automóveis, encerrou uma unidade com mais de 20 anos em Arcos de Valdevez, provocando o despedimento de cerca de 350 trabalhadores. Pouco tempo antes, a Coindu fora comprada adquirida pelo grupo italiano Mastrotto.
Em 2025, a empresa realizou dois despedimentos coletivos na unidade de Joane. No passado dia 11 de maio, os quase 500 trabalhadores desta terão sido avisados sobre a decisão da empresa avançar com um processo de lay-off.
“A situação agrava-se porque, apesar dos despedimentos levados a cabo, a empresa terá continuado a receber apoios públicos até dezembro de 2025, designadamente fundos do PRR para um projeto de produção de “componentes e acessórios para veículos a motor, no valor total de 3 910 000 de euros”, denuncia.
A DORB do PCP adianta que, já este ano, a empresa beneficiou 1,57 milhões de euros em apoios públicos, com vista ao “reforço da capacidade produtiva, produção de novos modelos e reestruturação de processos” e, entre 2021 e 2022, de cerca de 200 mil euros.
Fernando Gualtieri (CP 7889)





