Um dia após ser registado o primeiro caso de hantavírus em França, a ministra da Saúde da nação europeia, Stéphanie Rist, admitiu, no Parlamento francês, que, apesar de haver informações sobre o vírus, que já fez vítimas mortais, ainda há muitas incertezas.
Apesar de reconhecer que “há coisas que sabemos” sobre o hantavírus, a ministra francesa conhecido desde a década de 90, reconhece que ainda há muitas informações por apurar.
“Por exemplo, o local onde a primeira pessoa que morreu contraiu o vírus, ou, por exemplo, ainda não temos a sequenciação completa do vírus que nos permita afirmar com certeza hoje, mesmo que estejamos bastante tranquilos até à data, não temos a certeza de poder afirmar que este vírus ainda não sofreu mutações”, admitiu a ministra francesa.
Uma mulher francesa que seguia abordo do cruzeiro MV Hondius, cujos passageiros desembarcaram, na segunda-feira, em Tenerife, deu positivo para infeção de hantavírus à chegada a França.
Na segunda-feira, Stéphanie Rist havia revelado que o estado de saúde da cidadã francesa, internada numa unidade de cuidados intensivos, piorou depois de ter pisado solo gaulês.
Há ainda outros cinco franceses em “isolamento rigoroso até nova ordem” em Paris, bem como, pelo menos, 22 casos de contacto identificados.
DGS DEIXA RECOMENDAÇÕES
Entretanto, em Portugal a Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou, esta terça-feira, orientações para a gestão de possíveis casos suspeitos do surto de Hantavírus e indicou que o risco em Portugal “mantém-se muito baixo”, sem necessidade de implementar medidas preventivas.
“Esta Orientação enquadra as medidas a adotar, pelos profissionais do sistema de saúde português, para gestão de eventuais contactos no âmbito do surto da Hantavírus no navio cruzeiro MV Hondius, na eventual possibilidade de darem entrada em Portugal indivíduos que foram contactos de casos com relação a este surto”, explicou o organismo na sua nota na página na Internet.
A DGS indicou ainda na nota que não existe em Portugal “qualquer alteração da avaliação do risco”.
“O risco para Portugal mantém-se muito baixo, pelo que não há medidas preventivas a implementar a nível nacional para a população”, indicou.
De acordo com a orientação publicada, um caso suspeito é “qualquer pessoa que tenha partilhado ou visitado um meio de transporte (por exemplo, barco ou avião) onde tenha havido um caso confirmado ou provável de infeção por hantavírus (ANDV)”, ou “qualquer pessoa que tenha estado em contacto com um passageiro ou membro da tripulação do MV Hondius” e tenha febre aguda ou histórico de febre e um dos seguintes sintomas: dores musculares, calafrios, dor de cabeça, sintomas gastrointestinais (por exemplo, náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal) ou sintomas respiratórios (por exemplo, tosse, falta de ar, dor no peito, dificuldade em respirar).
NOVO CASO EM ESPANHA
Na nação vizinha, foi, entretanto, confirmado um novo caso num dos 14 espanhóis que estão a fazer quarentena num hospital de Madrid, que começou a ter sintomas ligeiros na segunda-feira, quando já estava internado.
O Governo de Espanha disse que testes específicos ao hantavírus, do tipo PCR, para todos os ocupantes do navio antes do desembarque nas Canárias, nunca estiveram previstos nos protocolos da OMS e do ECDC, sublinhando a complexidade que isso teria e a demora que poderia implicar para a operação de desembarque.
Esta terça-feira, em conferência de imprensa, presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, considerou ainda que a Operação de Desembarque em Tenerife foi um êxito e que Espanha tinha “obrigação moral” de prestar apoio nesta emergência de saúde global.
“Quisemos mostrar ao mundo que o nosso país é uma sociedade empenhada na saúde global (…) crio que em momentos como estes, ainda mais se possível, devemos sentir orgulho de ser espanhóis porque Espanha cumpre. Cumpre sempre. Primeiro com os seus, a quem prestamos assistência, mas também com o resto do mundo, a quem socorremos”, elogiou o primeiro-ministro espanhol.
OMS DIZ QUE RISCO DE PANDEMIA É BAIXO
A declaração do chefe do Executivo seguiu-se ao encontro com o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, que confirmou nove casos de infeção com hantavírus certificados, mais dois prováveis e três mortes entre passageiros e tripulantes do navio cruzeiro.
Atendendo ao longo período de incubação do vírus, é provável que surjam mais casos nas próximas semanas, mas as pessoas que estavam no navio estão já sob vigilância médica e os infetados ou com suspeita de infeção estão isolados, pelo que “nada aponta para um surto maior”, acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O diretor-geral da OMS sublinhou que os números de casos suspeitos e confirmados “não mudaram muito” nas últimas semanas.
Voltou a apelar a todos os países que receberam tripulantes e passageiros do navio para os coloquem numa quarentena de 42 dias e reiterou que “a avaliação da OMS” é que risco para a saúde e a população global continua a ser baixo.
Com SIC






