Quase duas semanas depois, o Irão voltou a ter uma voz de comando. Ainda que não tenha aparecido publicamente, coisa que poucas vezes fez em vida, o novo Líder Supremo enviou um longo comunicado que foi lido na televisão nacional.
De acordo com Mojtaba Khamenei, que assume o cargo depois da morte do pai, o aiatola Ali Khamenei, a guerra é para continuar.
E não só é para continuar, como é para agravar, sobretudo se Estados Unidos e Israel não cessarem os ataques.
O novo Líder Supremo do Irão anunciou que o Estreito de Ormuz vai continuar encerrado, fazendo eco das ameaças dos seus líderes, que até já falaram em preços do petróleo a atingir os 200 dólares por barril, algo nunca visto na história.
Ora, Mojtaba Khamenei entende que o encerramento do Estreito de Ormuz vai permitir “pressionar o inimigo”, numa lógica de caos económico que passa pela paralisação de uma ligação por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
E se a mensagem é de guerra para os Estados Unidos, também há espaço para a paz, nomeadamente para os vizinhos, que têm sido altamente afetados, como se tem visto em cidades como o Dubai, Doha ou Manama, nos Emirados Árabes Unidos, Catar ou Bahrein, respetivamente.
Todos esses países, mas não apenas esses países, têm sido atacados pelo Irão desde o início da guerra, levando muitos deles a emitirem avisos a Teerão, que parece não estar totalmente interessado em saber disso.
“Enviamos uma mensagem aos líderes da região e enfatizamos que vamos ter boas relações com os países à nossa volta”, afirmou Mojtaba Khamenei, garantindo, tal como já vêm fazendo outros líderes iranianos, que os alvos são os interesses norte-americanos.
De resto, é a existência de bases dos Estados Unidos naqueles países que justifica, segundo o Líder Supremo do Irão, os ataques: “A utilização dessas bases para atacar o Irão não está a beneficiar a região e [as bases] devem ser encerradas.”
“Como dissemos, não somos inimigos dos países à nossa volta, estamos apenas a atingir bases desses norte-americanos”, reiterou, falando num conjunto de 15 países e numa altura em que há vários relatos de ataques a locais onde não existem bases ou sequer localizações militares.
“POVO FIRME CONTRA INIMIGO”
Mojtaba Khamenei pediu que “o povo do Irão de todos os modos de vida se mantenha firme contra o inimigo”, numa mensagem de apelo à união, quando os Estados Unidos, e em concreto Donald Trump, pedem precisamente o contrário.
Quanto àqueles que já morreram, que são mais de 1300, verão uma compensação no futuro, até porque “o crime contra a Humanidade e contra crianças não vai ser ignorado”.
Mojtaba Khamenei não esclareceu como serão compensadas essas pessoas, mas avisou os inimigos que devem indemnizar o Irão ou vão ver os seus bens no Médio Oriente destruídos.
Na declaração lida na televisão nacional, Mojtaba Khamenei lembrou que muitas pessoas “perderam pessoas amadas durante a guerra”, mas quis recordar que também ele perdeu pessoas de quem gostava.
“Isto é algo que partilho com as pessoas que perderam os seus, porque eu perdi o meu pai, perdi a minha mulher”, afirmou, indicando ainda que a sua irmã perdeu um filho e o marido.
“Mas o que faz com que seja fácil para nós resistir a estas provações é a confiança na graça de Deus e saber que a paciência vai resolver isto”, acrescentou, prometendo então a vingança, não apenas pelo Líder Supremo, mas por “cada cidadão”.
Com CNN






