A Comissão de Trabalhadores da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga garantiu estar alinhada com o Conselho de Administração da instituição, rejeitando a existência de divergências internas, mas reafirmou a sua oposição ao eventual regresso de uma Parceria Público-Privada (PPP) à gestão do Hospital de Braga.
Em declarações ao jornal O Vilaverdense/PressMinho, a estrutura representativa dos trabalhadores assegura que mantém uma relação de colaboração com a administração da ULS, contrariando a ideia de um clima de conflito interno que tem sido apontado no debate político em torno da unidade de saúde.
A deputada socialista Irene Costa manifestou preocupação com o funcionamento da unidade, referindo críticas públicas relacionadas com atrasos em consultas, exames e cirurgias, dificuldades no acesso a medicamentos por parte de doentes oncológicos e constrangimentos provocados por equipamentos avariados.
Segundo a parlamentar, várias entidades ligadas ao setor, incluindo a Comissão de Trabalhadores, médicos e a Comissão de Utentes, têm vindo a denunciar problemas no funcionamento da instituição, num contexto que classificou como marcado por divergências entre profissionais e o Conselho de Administração.
Contudo, a Comissão de Trabalhadores desmente essa interpretação, afirmando não existir qualquer rutura com a administração e sublinhando que ambas as partes partilham preocupações comuns relativamente aos desafios enfrentados pela ULS.
Apesar dessa convergência, a estrutura mantém reservas quanto a eventuais alterações ao modelo de gestão do Hospital de Braga. Os representantes dos trabalhadores defendem que a melhor solução para o futuro da instituição passa pela criação de uma ULS Universitária, reforçando a ligação entre a prestação de cuidados de saúde, o ensino e a investigação, em articulação com a academia.
A Comissão considera que este modelo permitirá potenciar a capacidade assistencial e científica da unidade, rejeitando, por isso, o regresso a um regime de gestão em parceria público-privada.
Nas declarações prestadas, Irene Costa atribuiu o atual clima de desconfiança a opções políticas que, na sua perspetiva, enfraqueceram o modelo das unidades locais de saúde e fragilizaram as respetivas lideranças. A deputada defendeu ainda uma intervenção do Governo que garanta o normal funcionamento da ULS de Braga e responda de forma eficaz às necessidades da população servida pela instituição.
O debate em torno do futuro da ULS de Braga continua, assim, a ganhar relevância política e institucional, numa altura em que persistem desafios operacionais e se discutem diferentes modelos para a gestão dos cuidados de saúde na região.





