Os governos de Itália, Reino Unido, França e Alemanha apelaram esta sexta-feira a Israel para que interrompa a expansão dos colonatos na Cisjordânia e responsabilize os colonos israelitas pela violência dirigida contra a população palestiniana.
Numa declaração conjunta, os líderes das principais potências europeias condenaram a violência crescente dos colonos nos territórios ocupados, alertando que “atingiu níveis sem precedentes”.
Além disso, afirmaram que as políticas e práticas do Governo israelita estão a “minar a estabilidade e as perspetivas de uma solução de dois Estados” para o problema israelo-palestiniano.
“Apelamos ao Governo de Israel para que ponha fim à expansão dos colonatos e dos poderes administrativos, assegure a responsabilização pela violência dos colonos e investigue as denúncias contra as forças israelitas”, afirma a declaração.
Os líderes europeus instaram também Israel a “respeitar a custódia hashemita dos lugares sagrados em Jerusalém e os acordos históricos do estatuto”, que decorre da anexação israelita da parte oriental da cidade, considerada ilegal pelas Nações Unidas.
Paralelamente, pediram o levantamento das restrições financeiras impostas à Autoridade Palestiniana, que governa partes da Cisjordânia, bem como medidas para aliviar a situação da economia no território.
COLONATOS “ILEGAIS”
As quatro potências destacaram o projeto de desenvolvimento na zona conhecida como E1, um corredor estratégico de expansão de colonatos perto de Jerusalém Oriental que, alertaram, “dividirá a Cisjordânia” em duas partes.
“O direito internacional é claro: os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais. Os projetos de construção na área E1 não seriam exceção”, adverte a declaração.
O grupo de países europeus apelou ainda às empresas privadas para evitarem concursos de construção nesta área, apontando potenciais problemas legais e danos para a sua reputação, “incluindo o risco de envolvimento em graves violações” do direito internacional.
“Opomo-nos firmemente àqueles, incluindo membros do Governo israelita, que defendem a anexação e a deslocação forçada da população palestiniana”, conclui a declaração.
MAIS DE MIL MORTOS
A Cisjordânia vive um aumento substancial da violência desde os ataques do grupo islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
A par do conflito no enclave palestiniano, Israel expandiu os seus colonatos ilegais na Cisjordânia e aumentou a restrição de movimentos da população, ao mesmo tempo que dispararam atos de violência atribuídos às forças israelitas e a colonos radicais.
Entre 07 de outubro de 2023 e 13 de maio de 2026, as Nações Unidas registaram 1.095 palestinianos mortos, dos quais 240 eram crianças, na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.
Desde o início do ano, a violência custou a vida a 49 palestinianos.






