A construtora dst investiu cerca de 40 milhões de euros na implantação de um museu de cinco andares no centro histórico da cidade de Braga, que vai foi oficialmente inaugurado pelo Presidente da República, António José Seguro, e abre oficialmente as portas ao público neste sábado.
Trata-se do Muzeu – Pensamento e Arte Contemporânea, que visa a promoção do pensamento crítico e o ativismo social através da arte contemporânea, da filosofia e do debate. Instalado no edifício onde já funcionou o Tribunal Judicial de Braga, é composto por quatro pisos de exposição e um auditório.
Para o presidente do conselho de administração da empresa, José Teixeira, este é um investimento na formação, no conhecimento, na ciência e na cultura.
“O Victor Hugo dizia que pior do que a pobreza era a ignorância. E quando nós decidimos em que é que investimos, se investimos num robô ou se investimos primeiro na formação, não temos discussão possível. Sem formação, ninguém opera um robô. Portanto, o início é a formação, o início é a cultura”, afirmou.
José Teixeira disse ainda que não foi por acaso que foi escolhido o mês de abril para a inauguração.
“Quando nós pensámos em abril, nós pensámos na hipótese de suscitar a discussão de abrir abril e da necessidade de abrir abril, de nunca esquecer de abril, e nós fomos usar a arte como esse instrumento, como essa ferramenta para continuar a abrir abril, para abril ser o dia-a-dia de todos os portugueses. E a arte, como a literatura, como a poesia, são essas ferramentas que facilitam esse caminho, esse caminho de partida e que não tem chegada”, acrescentou.
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Na inauguração oficial, que aconteceu esta quinta-feira, o Presidente da República apelou à “responsabilidade social da riqueza”, defendendo que o mecenato deve ser visto como um dever, uma obrigação moral e um imperativo da vida em sociedade.
Referindo-se ao Muzeu – Pensamento e Arte Contemporânea, António José Seguro sublinhou que este é um exemplo que representa bem “a responsabilidade social da riqueza”.
“Ou seja, a devolução à comunidade de um bem que não pode estar encerrado e que deve destinar-se à fruição de todos como um alimento espiritual, um alimento de inquietação e de alento”, referiu.
Para o Presidente, este é um exemplo “que deve frutificar”, não só nas artes, mas também noutras áreas, como a proteção do património, o incentivo à leitura, aos leitores e aos autores e a inovação arquitetónica.
“Falamos frequentemente da lei do mecenato, que é, ou poderá ser a partir de agora, um importante instrumento a pôr em marcha no nosso país. Mas é fundamental que o mecenato não seja apenas um instrumento, mas também um fim. É fundamental que seja visto como um dever, uma obrigação moral, o imperativo da vida em sociedade”, advogou.
António José Seguro lembrou que foi o mecenato possibilitou, no passado, que as artes se desenvolvessem e que os autores e criadores tivessem apoio, reconhecimento e tempo.
“Aquilo a que hoje assistimos neste edifício recuperado, transformado e aberto à comunidade é um passo, um passo importante e um exemplo dessa responsabilidade social da riqueza”, sublinhou.
FÓRUM ABERTO
De acordo com a dst, o Muzeu “irá funcionar como um fórum aberto para a filosofia e para a arte, com um programa que reúne uma ampla variedade de intervenientes, através de exposições, palestras, performances e música, reforçando o papel do museu como espaço de intervenção e promoção cívica e política”.
“Além disso, o Muzeu será um local de reflexão e inspiração para os 3.000 funcionários do dstgroup, oferecendo aos trabalhadores a oportunidade de se requalificarem e melhorarem as suas competências através de formação em funções relacionadas com a área de museologia, tais como guias de exposições, conservação e gestão de coleções, ou mesmo programas e eventos específicos para funcionários”, acrescenta.
No centro do programa de abertura, estará a exposição inaugural “Sejamos realistas, exijamos o impossível”, que poderá ser vista a partir deste sábado até 23 de outubro de 2027.
Ao longo de quatro pisos expositivos com aproximadamente 3.000 metros quadrados, apresenta mais de 100 obras de 96 artistas, 40 portugueses e 56 internacionais, provenientes da Coleção de Arte Contemporânea do dstgroup.







