Os meteorologistas não têm ainda certezas sobre a intensidade e o momento do pico deste acontecimento, mas garantem que as temperaturas e a precipitação vão ser influenciadas, mas indicam que há 80% de probabilidade de este episódio ocorrer entre junho e agosto, enquanto a possibilidade de se manter até novembro aumenta até perto dos 90%.
“O El Niño normalmente aumenta as temperaturas globais e provoca padrões climáticos e de precipitação mais extremos”, alerta a OMM – Organização Meteorológica Mundial.
Segundo a BBC, diversas agências meteorológicas estão a sugerir que este seja um “super” El Niño. “Estamos muito confiantes de que este possa vir a ser um evento de grande magnitude. Pode ser até um evento recorde”, disse Adam Scaife, do Serviço de Meteorologia do Reino Unido.
A OMM é mais cautelosa e fala apenas num acontecimento moderado e, possivelmente, forte. A secretária-seral da OMM, Celeste Saulo, garante que este “El Niño forte agravará a seca e as chuvas torrenciais e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra como no oceano”.
GUTERRES FALA EM ALERTA CLIMÁTICO
Já António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), reforça a necessidade de enfrentar este alerta climático com urgência.
“As condições do El Niño irão alimentar ainda mais os efeitos de um planeta em aquecimento. Os impactos serão ainda mais severos, espalhar-se-ão mais longe e irão atravessar fronteiras a uma velocidade devastadora”, disse num vídeo publicado pela ONU.
Guterres pede ainda uma resposta eficaz para esta crise: “É preciso pôr fim à dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para as energias renováveis e garantir sistemas de alerta precoce para todos.”
A OMM indica que a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial centro-oriental, área usada como referência de monitorização, estava próxima dos limites do El Niño entre o final de abril e meados de maio. Agora, estas anomalias crescem na superfície devido a condições execionalmente quentes em todo o Pacífico tropical, com temperaturas seis graus Celsius acima da média.
Recorde-se que o El Niño mais recente ocorreu em 2023-2024 e que foi um dos mais fortes de sempre. Segundo a OMM, este fenómeno contribuiu para as temperaturas globais recordes que se registaram em 2024.






