Jonathan Andic, o filho de Isak Andic, fundador das lojas de roupa Mango que morreu durante uma caminhada, em Barcelona, enviou uma mensagem suspeita ao pai cinco meses antes da morte.
Segundo o jornal espanhol El Mundo, as mensagens recuperadas do telemóvel de Jonathan Andic são alguns dos principais indícios em que o Ministério Público espanhol se baseia para se opor ao recurso da defesa contra as medidas de coação aplicadas.
“Não me espanta que pensasses que eu era capaz até de te matar”, disse o filho numa das mensagens enviadas ao fundador da Mango, em julho de 2024, cinco meses antes da morte.
Jonathan Andic ficou sujeito às medidas de coação de proibição de sair do território nacional e obrigação de apresentações semanais, além de ter o passaporte apreendido.
No entanto, a defesa argumenta que as causas da queda de Isak Andic numa ravina nas Cuevas del Salnitre, em Collbató (Barcelona), em 14 de dezembro de 2024, não foram esclarecidas, nem foi provada a intervenção de terceiros no incidente.
Já o Ministério Público refuta os argumentos da defesa, baseando-se nas provas obtidas a partir de relatórios policiais, estudos de geolocalização, do conteúdo do telemóvel da vítima, dos registos de chamadas efetuadas pelo suspeito na altura dos factos e do relatório fotográfico do local.
Para o Ministério Público, as provas “contradizem” a suposta boa relação entre Jonathan Andic e o pai, alertando ainda que existe um risco significativo de fuga, dada a “capacidade económica extremamente elevada” de Jonathan Andic.
O fundador da Mango, então com 71 anos, morreu quando fazia uma caminhada com o filho, agora com 45 anos. Na versão de Jonathan Andic, o pai escorregou no trilho e caiu por uma encosta, de uma altura de mais de 100 metros.
A investigação policial e judicial do caso seguiu inicialmente a tese de acidente e o processo chegou a ser arquivado por uma juíza de instrução. No entanto, os investigadores da polícia catalã consideraram que havia aspetos pouco claros e conseguiram a reabertura do processo, que passou a ser um inquérito de possível homicídio em finais de setembro do ano passado, noticiaram em outubro os jornais El Pais e La Vanguardia, que citaram “diversas fontes a par da investigação”.
No mesmo momento, Jonathan Andic passou de ser testemunha a investigado.
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Segundo o El Pais, “certas incongruências nas declarações” do filho de Isak Andic “alimentaram as suspeitas”.
Segundo os dois jornais, outras testemunhas ouvidas na investigação, como Estefanía Knuth, a companheira sentimental de Isak Andic nos últimos anos, a dar conta de “más relações” ou “relações complicadas” entre pai e filho, foram determinantes para Jonathan Andic passar a ser suspeito de homicídio.
Quando morreu, Isak Andic tinha uma fortuna avaliada pela revista Forbes em 4.500 milhões de euros, que foi equitativamente dividida pelos três filhos do empresário (Jonathan, Judith e Sarah).
Após a morte de Isak Andic, o presidente da Mango passou a ser Toni Ruiz, até então presidente executivo (CEO) e que não é membro da família Andic, a qual continua a ter 95% da propriedade do grupo.
Os primórdios da Mango remontam a 1984, quando Isak Andic, com a ajuda do irmão mais velho, Nahman, abriu a primeira loja, no Paseo de Gracia, a famosa rua comercial de Barcelona.
A Mango tornou-se um dos principais grupos internacionais de moda, com cerca de 2.800 lojas em todo o mundo e 15.500 empregados.






