O presidente do Chega gritou esta terça-feira “Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão” à chegada do chefe de Estado brasileiro ao Palácio de Belém, Lisboa, onde também decorreu uma manifestação de apoio a Lula da Silva.
Depois de se ter encontrado com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, em São Bento, Lula da Silva chegou pouco depois das 15h00 à residência oficial do Presidente da República, onde foi recebido por António José Seguro, no âmbito da sua visita oficial a Portugal.
Nesse momento, André Ventura discursava em frente ao Palácio de Belém, onde decorria uma manifestação convocada pelo Chega contra a presença em Lisboa do Presidente da República Federativa do Brasil.
Apercebendo-se da chegada de Lula da Silva ao local, o líder do Chega incentivou os presentes, apoiantes e outros dirigentes do partido, a entoar “Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão”, segurando umas algemas.
“Eu queria vos dizer que fui agora informado que Lula da Silva já está a caminho aqui do Palácio de Belém, por isso nós vamos ter que nos fazer ouvir muito para que ele saiba, sobretudo para que ele sinta e perceba que estas pessoas que estão aqui não o querem em Portugal, não o querem no Brasil, e se Deus quiser, no final do ano, também se livrarão dele no Brasil”, afirmou.
Ao mesmo tempo que entoavam estas palavras de protesto, os manifestantes deslocaram-se alguns metros, aproximando-se do Palácio, mas permanecendo do outro lado da estrada.
A poucos metros decorreria também uma outra manifestação de apoio a Lula da Silva, que respondeu ao cântico do Chega, gritando: “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.
No local esteve um forte dispositivo da PSP e também alguns elementos da segurança da comitiva de Lula da Silva.
O líder do Chega e os apoiantes do partido desmobilizaram pelas 15h40, ainda Lula da Silva se encontrava reunido com o Presidente António José Seguro.
Antes de Ventura discursar, falaram várias pessoas, entre os quais alguns deputados, e a intervenção do líder do Chega começou quando estava a terminar a declaração conjunta de Lula da Silva e do primeiro-ministro, Luís Montenegro, depois da qual o Presidente brasileiro se deslocou para Belém.
“LADRÃO E CORRUPTO”
No seu discurso, o presidente do Chega questionou como é que o primeiro chefe de Estado estrangeiro recebido por António José Seguro em Belém foi Lula da Silva, que classificou como “um ladrão e um corrupto”.
“Que sinal é que isso dá para Portugal? Que sinal é que isso dá para o Brasil? Que sinal é que isso dá para o mundo que fala português? Dá um péssimo sinal”, salientou.
André Ventura justificou a convocação deste protesto, afirmando que “a luta pela liberdade, a luta contra a corrupção, não pode ser só conversa, não pode ser só quando dá jeito”.
“Nós temos um homem hoje à frente de um país que é um país irmão de Portugal, que é um país do qual muita gente vem para residir também neste seu país irmão e que tem ostensivamente roubado o país, primeiro que nada, roubado os brasileiros, roubado os portugueses, feito da corrupção uma espécie de prática constante”, acusou, questionando “porque é que tantos [brasileiros] vêm para Portugal se o Brasil estivesse tão bem”.
“O nosso país é um país de braços abertos ao mundo, mas não é um país de braços abertos ao crime, nem à bandidagem, nem ao terrorismo. É um país que quer trabalho, quer fé, quer autoridade, quer segurança. É um país que quer trabalho, salário, dignidade. Ora, o Brasil de Lula não é nada disso. O Brasil de Lula não tem salário, senão não tinham que vir para aqui. O Brasil de Lula não tem autoridade nem liberdade”, defendeu.
André Ventura defendeu ainda a prisão do antigo primeiro-ministro José Sócrates e de Lula da Silva, pegando num cartaz com a imagem dos dois.
Apoiante de Jair Bolsonaro, durante a campanha para as eleições legislativas de 2024, André Ventura disse que se fosse primeiro-ministro não deixaria Lula da Silva entrar no país, e ameaçou-o com prisão.
No ano anterior, quando o Presidente brasileiro discursou na Assembleia da República, os deputados do Chega levantaram-se, bateram na mesa em jeito de pateada, e empunharam cartazes onde se liam mensagens como “Chega de corrupção”, “Lugar de ladrão é na prisão”.






