A vice-presidente executiva da Comissão Europeia Teresa Ribero reconheceu esta quarta-feira, em reunião plenária do Comité das Regiões (CoR), o “cenário assustador” que tem afetado o clima europeu.
“Trinta e sete graus pode ser algo frequente na Europa do Sul, mas já não tanto em Bruxelas”, assumiu a comissária para a Transição Limpa, Justa e Competitiva, antecipando que esta situação “se vai tornar cada vez mais frequente” no continente.
“É de loucos”, comentou, considerando que só com parcerias multirregionais será possível debelar o impacto das alterações climáticas.
Mais tarde, na conferência de imprensa conjunta com a presidente do Comité das Regiões, Kata Tütto, destinada a alguns meios de comunicação, entre os quais a Lusa, Teresa Ribero assumiu: “Não estamos suficientemente preparados.”
Referindo, como exemplos, o colapso de serviços hospitalares e o fecho de escolas durante as mais recentes vagas de calor na Europa, a vice-presidente classificou as alterações climáticas como “um assassino silencioso”.
Uma vez que “os autarcas estão na primeira linha de resposta ao clima”, a comissária defendeu ser preciso “garantir que as autarquias têm os meios para providenciar as respostas adequadas aos desafios que enfrentam”.
A onda de calor na Europa continua a provocar impactos significativos em vários países, com França a registar um aumento da mortalidade e novos recordes de temperatura na Croácia e na Hungria.
Segundo cálculos da agência de notícias France-Presse (AFP), baseados em previsões do Serviço Meteorológico Alemão e em projeções demográficas do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, mais de 95 milhões de pessoas terão enfrentado, em algum momento de terça-feira, temperaturas superiores a 35º C, sobretudo no sul e no leste da Europa.
A atual vaga de calor sucede a uma série de episódios extremos registados nas últimas semanas em vários países europeus, incluindo Portugal, refletindo a persistência de temperaturas excecionalmente elevadas em grande parte da Europa.
O tempo quente que afeta Portugal desde terça-feira dará origem a uma onda de calor que se prolongará por oito a dez dias e atingirá praticamente todo o país, estimou esta quarta-feira o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).






