A Coordenadora Concelhia de Braga do Bloco de Esquerda (BE) denunciou, este sábado, “a situação insustentável” de acumulação lixo numa rua da freguesia de São Victor, no centro da cidade, durante “um período intolerável de 36 horas consecutivas” após o recente feriado municipal de São João.
O BE refere que “a acumulação massiva” de resíduos indiferenciados na via pública, à volta dos contentores da Agere, impedindo a normal circulação, criando “um foco evidente de contaminação e mau odor”, não é “um caso isolado”, mas um episódio que “expõe uma falha crónica e recorrente do planeamento” da recolha de lixo na cidade, “manifestando-se sistematicamente nos dias de feriado e períodos imediatamente posteriores”.
Por esta razão, os bloquistas enviaram aos presidentes da Câmara e da Junta da Freguesia uma “exposição formal” relativa a esta “grave situação” de insalubridade pública verificada na Rua Albano Belino.
Na exposição, o Bloco sublinha que este “apagão na recolha de resíduos urbanos “é recorrente. “Sempre que se sucedem feriados ou dias festivos, a recolha assídua de resíduos cessa, gerando o caos urbanístico.”
“É do conhecimento público que a Agere [Empresa de Águas, Efluentes e Resíduos de Braga – EM] tem demonstrado severas dificuldades em gerir e cumprir os serviços de recolha nos horários e dias cujo custo laboral é mais elevado, preterindo o superior interesse da saúde pública e do bem-estar dos munícipes em função de critérios de contenção orçamental”, acusa o partido.
REPETIDAS DENUNCIAS
Apesar das “repetidas denúncias” por parte dos moradores através da plataforma ‘GESAutarquia’, a situação já se “arrasta há anos”, o que prova que o atual circuito de reencaminhamento de informação entre a Junta de Freguesia, a Câmara e a Agere “é manifestamente ineficaz, servindo apenas para adiar soluções e desresponsabilizar os intervenientes”.
“O lixo não pode continuar na rua durante 36 horas à espera que os canais burocráticos funcionem”, diz o BE.
No documento remetido ao presidente do município, o social-democrata João Rodrigues, o Bloco quer saber “quais as medidas de fiscalização e penalização que pretende aplicar à Agere pelo incumprimento recorrente dos horários de recolha em períodos de feriados”.
À empresa municipal, presidida pelo também social-democrata João Granja, exige “a revisão imediata do plano de contingência e das escalas de pessoal para dias feriados, garantindo que o serviço de recolha não é interrompido ou severamente atrasado por motivos de custos laborais.
Da Junta de Freguesia, liderada pelos independentes da Amar e Servir Braga, os bloquistas querem uma “postura ativa e reivindicativa” junto do Executivo camarário, que vá além do “mero registo estéril” na aplicação GES Autarquia, exigindo uma auditoria aos tempos de resposta da Agere na freguesia.
“Braga não pode ambicionar ser uma cidade sustentável e de vanguarda mantendo as suas ruas neste estado de abandono”, conclui o BE.
Fernando Gualtieri (CP 7889)
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