A PJ, através da Diretoria do Centro, e a Guardia Civil de Burgos, em Espanha, desmantelaram uma rede suspeita de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral.
A operação, denominada ‘Mãos Livres’, culminou na detenção de cinco pessoas, três em Espanha, ao abrigo de mandados de detenção europeus emitidos pelo Tribunal de Coimbra, e duas em Portugal, e no resgate de duas vítimas do sexo masculino.
Segundo a PJ, o grupo, de cariz familiar, atuava há vários anos, recrutando em Portugal pessoas em situação de vulnerabilidade económica e exclusão social. As vítimas eram encaminhadas para Espanha, onde trabalhavam em atividades agrícolas pouco qualificadas.
De acordo com a investigação, os suspeitos mantinham as vítimas sob controlo permanente, em condições precárias de habitação e alimentação, recorrendo à coação para se apropriarem da quase totalidade dos salários pagos pelos empregadores.
Além disso, utilizavam a identidade das vítimas para celebrar contratos de trabalho, obter prestações sociais, abrir contas bancárias e registar viaturas, dificultando a ação das autoridades.
ESCRAVOS DURANTE 15 E 30 ANOS
Durante as diligências realizadas em Espanha, foram apreendidos documentos, saldos bancários e dois imóveis, elementos que reforçam a investigação dirigida pelo DIAP Regional de Coimbra.
As duas vítimas tinham permanecido sob domínio do grupo durante cerca de 30 e 15 anos, respetivamente. A mais velha chegou mesmo a ser transacionada entre elementos da rede, como se fosse uma mercadoria, revela a Judiciária.
Os três detidos em Espanha, com idades entre os 32 e os 35 anos, foram presentes à Audiência Nacional, em Madrid, para efeitos de extradição para Portugal.
Já os dois detidos em território nacional, de 54 e 56 anos, um dos quais com antecedentes por crimes da mesma natureza, serão presentes à autoridade judiciária para aplicação das medidas de coação.






