O porta-voz do Livre Rui Tavares negou esta sexta-feira que a saída do cargo signifique um afastamento, acreditando que será “mais útil” ao partido na estratégia e “formação de lideranças” e realçando a necessidade de surgirem novas “caras e vozes”.
“[A saída do cargo de porta-voz] não significa um afastamento, significa uma redistribuição do jogo dentro da equipa e a assunção de funções e de responsabilidades que são novas, mas que não deixam de ser centrais”, defendeu Rui Tavares, em entrevista à agência Lusa, a primeira desde que foi noticiada a sua saída do cargo de porta-voz do partido.
Depois de um período de quatro anos à frente do Livre como co-porta-voz, numa liderança partilhada primeiro com Teresa Mota e depois com Isabel Mendes Lopes, Rui Tavares deixa o cargo na 17.ª reunião magna do partido, agendada para julho, em Sintra, continuando como deputado no Parlamento.
Isabel Mendes Lopes recandidata-se ao cargo, mas desta vez propõe-se a partilhá-lo com Jorge Pinto, deputado e candidato às eleições presidenciais de janeiro. Na lista ao Grupo de Contacto (direção), Rui Tavares surge em terceiro lugar, mantendo-se no órgão, mas com o pelouro da “estratégia, comunicação e formação”.
Depois de assinalar que não queria deixar de ser porta-voz por imposição de limite de mandatos na direção – uma vez que vai desempenhar o seu terceiro mandato neste órgão, número máximo definido pelos estatutos do partido –, Tavares disse ter manifestado internamente a sua preferência por outras funções, que ajudassem a pensar o Livre, “não só nos próximos dois anos, mas também nos próximos 10 ou 20”.
“O campo progressista em Portugal, e o Livre em particular, vai precisar que as pessoas conheçam várias caras, conheçam várias vozes e mantenham a confiança de que há um alinhamento, em termos ideológicos, e que há uma consistência naquilo que estamos a fazer”, sublinhou.
MAIS ÚTIL EM CARGO DE ESTRATÉGIA
O fundador disse acreditar que será “mais útil” ao partido num cargo de definição de estratégia a longo prazo e “formação de lideranças”, com vários objetivos, desde logo “fazer crescer o Livre para que possa haver uma governação progressista em Portugal”.
“Aquilo que o Livre pode e tem que fazer é a formação de lideranças e de protagonismos que permitam à esquerda crescer e que nos permitam derrotar a deriva para uma direita radicalizada que temos vindo a ver nos últimos tempos”, afirmou.
Rui Tavares realçou que a liderança do partido continua a ser “coletiva” e que a novidade na lista apresentada é a da atribuição de “pelouros”, nos quais se inclui a criação do cargo de “secretário-geral”, ao qual se candidata Tomás Cardoso Pereira.
Apesar de reconhecer que “visto de fora” é tido em conta como a figura central do partido, o deputado lembrou que tanto Isabel Mendes Lopes como Jorge Pinto estão no Livre desde a sua fundação e integraram direções em momentos nos quais foi preciso afirmar o partido – como na polémica com Joacine Katar Moreira, que passou a deputada não inscrita em 2020.
Nos últimos quatro anos, Rui Tavares foi eleito deputado único pelo Livre em 2022, marcando o regresso do partido ao parlamento depois da estreia com Joacine Katar Moreira, e desde então o partido foi aumentando a sua representação parlamentar e ganhando mais espaço à esquerda.
Atualmente, conta com uma bancada de seis deputados e registou o seu melhor resultado de sempre em legislativas no ano passado.
Com 53 anos, Rui Tavares nasceu em Lisboa, é historiador e já desempenhou funções como eurodeputado entre 2009 e 2014, eleito como independente pelas listas do BE.






