O candidato presidencial Gouveia e Melo prometeu esta sexta-feira combater a “elevada demagogia” e o cinismo na política, dando como exemplo medidas proclamatórias para a saúde, e adotar uma atitude crítica, exigente e cooperante face aos governos, criticando “o sistema político”.
“Existe uma elevada demagogia no nosso sistema político. Por exemplo, na quinta-feira, perante um problema da saúde”, apontou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada aos jornalistas, no centro histórico de Viana do Castelo.
Numa alusão às medidas anunciadas pelo Governo, na sequência de cidadãos que morreram por ausência de socorro atempado, o candidato presidencial criticou “o sistema político”.
“O que veio dizer logo à Assembleia da República, o Governo, foi dizer que há 275 viaturas deste género, mas esse processo das viaturas já vem em 2023. E qual a razão para não existirem?” questionou.
O almirante registou também o anúncio de medidas como “o famoso hospital do Algarve, que só em pedras inaugurais já devia estar construído. Põe pedras inaugurais umas por cima de outras”, comentou, usando neste caso a ironia.
A seguir, tirou uma conclusão: “A população portuguesa está a perceber, exige uma boa governação com coisas concretas e não com declarações proclamatórias às oito da noite para as televisões. Isso é que não pode ser”, frisou.
Se for eleito Presidente da República, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada prometeu ser “crítico” com o Governo, mas “não para o derrubar”.
“Sou crítico do governo quando o Governo está a errar, porque acho que é isso que melhora a governação”, advogou.
“CINISMO”
Neste contexto, Gouveia e Melo lamentou ainda as “atitudes cínicas” que se registaram “quando houve problemas nos incêndios” e advertiu que “é preciso ter cuidado com a democracia”.
“Se continuamos com algum cinismo político, o que vai acontecer? É um estado de espírito que está na nossa política. Quando há um problema, vamos fingir qualquer coisa, vamos fazer uma proclamação qualquer demagógica que afasta o problema, mas o problema continua”, assinalou.
Em termos específicos, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada apontou que, até hoje, ainda ninguém esclareceu a razão de os aviões de combate a incêndios terem ficado no chão quando, no último verão, havia incêndios florestais.
E, na sua perspetiva, na quinta-feira, “foi também um momento de cinismo, quando se anunciam investimentos na saúde, também para esconder um pouco aquilo que se estava a passar no setor com estes casos das mortes por falta de assistência”.
“A população quer respostas. E esses anúncios são percebidos pela população, mais uma vez, como uma manobra política, o que descredibiliza a democracia”, acrescentou.






