A presidente da Comissão Europeia destacou esta sexta-feira que “está nas mãos dos países” da UE aprovar medidas contra Israel pelos ataques à Palestina, referindo que “a situação está claramente a deteriorar-se”.
“Há 10 meses, propusemos suspender as preferências comerciais ao abrigo do Acordo de Associação UE-Israel. Isto foi há 10 meses e teria um impacto económico significativo, mas esta proposta continua na mesa dos Estados-membros para votação por maioria qualificada. Portanto, a decisão está nas mãos dos Estados-membros”, disse Ursula von der Leyen, em conferência de imprensa na cidade irlandesa de Cork.
“Foi há 10 meses que fizemos esta proposta e, no mês passado, chegámos a acordo sobre sanções contra colonos israelitas extremistas. Muitos Estados-membros também propuseram sancionar o ministro [da Segurança Nacional israelita] Ben Gvir, mas até agora não foi alcançado consenso”, acrescentou.
No dia em que o colégio de comissários da Comissão Europeia participa no evento de inauguração da presidência semestral rotativa do Conselho da UE, ocupada pela Irlanda, Ursula von der Leyen observou: “A situação está claramente a deteriorar-se.”
“Já chegámos a acordo sobre sanções contra colonos israelitas extremistas e figuras do [grupo islamita] Hamas e a Comissão irá em breve apresentar um documento com opções”, referiu a líder do executivo comunitário.
Porém, persiste “o problema do acesso [da ajuda humanitária] como primeiro ponto na Cisjordânia e também a questão dos colonos”, indicou.
“A contínua expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia é totalmente inaceitável e a violência utilizada para alcançar essa expansão é abominável e prejudica o futuro da solução de dois Estados, que, na nossa opinião, é a única solução viável ou o único caminho para uma paz duradoura”, referiu Ursula von der Leyen.
Vincando que a UE é o maior fornecedor mundial de ajuda ao povo palestiniano, a responsável concluiu: “Há muita atividade em curso, mas no Conselho não há avanço para uma solução ou acordo sobre como proceder.”
AGIR AGORA
A Irlanda, que ocupa este semestre a presidência rotativa da UE, defendeu que o bloco comunitário deve “agir agora” para “mudar o comportamento” israelita na Faixa de Gaza e no Líbano, pedindo respostas mais fortes a Bruxelas.
“Se todos nós na UE acreditamos que a única forma de alcançar a paz na região, permitindo que palestinianos e israelitas vivam lado a lado, é através de uma solução de dois Estados, e se acreditamos genuinamente nisso – e eu acredito que a UE acredita – então a única forma de manter essa visão e essa ambição é agir agora”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros, Helen McEntee, em Dublin na quarta-feira, falando a um grupo de jornalistas europeus, incluindo a Lusa.
Bruxelas prepara medidas políticas e económicas em resposta à situação na Faixa de Gaza e ao avanço dos colonatos israelitas na Cisjordânia.
Está previsto que o Executivo comunitário apresente estas propostas antes da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE de 13 de julho de 2026, num momento em que vários Estados-membros pressionam por uma resposta mais firme.
Entre as opções em discussão encontram-se a limitação ou proibição do comércio com colonatos nos territórios ocupados, possíveis ajustes ao Acordo de Associação UE-Israel, sanções direcionadas contra colonos violentos e eventuais medidas restritivas contra figuras políticas consideradas responsáveis pela escalada do conflito.
Estas iniciativas enfrentam divisões internas na UE, o que torna uma aprovação incerta e politicamente sensível, especialmente no que toca a medidas que exigem unanimidade entre os Estados-membros.
Pela oitava vez, a Irlanda ocupa, entre julho e dezembro, a presidência rotativa da UE.






