A homenagem ao realizador João Canijo, com a exibição de oito filmes que percorrem a sua carreira, é um dos destaques da 26.ª edição do Encontros – Festival de Cinema de Viana regressa entre os dias 4 a 13 de maio
Esta sexta-feira, em conferência de imprensa de apresentação do evento, o presidente da Câmara, Luís Nobre, reconheceu que o trabalho feito ao longo destas 26 edições tem sido marcado por “crescimento, consolidação e vontade de evoluir, principalmente na dimensão da formação de públicos e na dimensão territorial”, assegurando que “o audiovisual, o cinema, é também uma oportunidade de nos afirmarmos enquanto território”.
Organizado pela associação Ao Norte, em parceria com a Câmara, o Encontros promete voltar a afirmar-se como “uma experiência única no meio cultural da região e do país, ao proporcionar um espaço comum de partilha, formação e debate em que confluem estudantes de cinema e das escolas da região, investigadores, cineclubistas de Portugal e da Galiza e público em geral, enriquecido com a participação ativa de profissionais deste meio artístico”.
O autarca sublinhou que “este é um espaço de referência com foco exclusivo na pedagogia e formação para o cinema, na investigação e ligação à comunidade educativa e artística”.
Além da secção competitiva, a edição deste ano inclui um ciclo e homenagem dedicado a João Canijo, conferências, oficinas, encontros profissionais e exposições.
Já o vereador da Cultura, Manuel Vitorino, indicou que “este é, possivelmente, o festival de cinema e de vídeo onde o público escolar estará mais presente, a nível do nosso país”.
Destacou a secção Trabalhos de Casa, que este ano conta com 78 trabalhos, onde os estudantes de Viana desenvolvem filmes “ao longo do ano, numa ligação efetiva entre o festival e a salas de aula, contribuindo não só para a aprendizagem, mas também para a literacia audiovisual”.
Rui Ramos, da Ao Norte explicou que o Encontros vão acontecer em diversos espaços, numa “programação bastante extensa e complexa” que se distribui por cinco eixos estratégicos: Investigação/Reflexão, Literacia Cinematográfica, Competição, Indústria e Cinema e Outras Artes.
Daniel Maciel, coordenador do festival, assegurou que este é um festival “voltado para o cinema e para a educação”, pelo que, com mais de um quarto de século, o certame apresenta “uma vasta atividade” dedicada à literacia para o cinema junto da comunidade escolar e dos jovens em geral.
HOMENAJEM A JOÃO CANIJO
Um dos grandes destaques é a homenagem a João Canijo, realizador essencial do cinema português contemporâneo, e o ciclo de oito filmes que percorre a sua obra singular, reveladora da coerência e evolução de um cinema profundamente enraizado na realidade.
Entre ficção e documentários, Canijo construiu universos densos, onde o tempo, o silêncio e a palavra ganham peso dramático.
Mais do que revisitar os filmes, este programa convida a mergulhar na visão autoral exigente e inquietante de Canijo.
O tributo inclui a exibição de: Ganhar a Vida; Noite Escura; Sangue do Meu Sangue; É O Amor; Fantasia Lusitana; Fátima; Mal Viver; Viver Mal, permitindo um mergulho profundo na sua visão autoral.
COMPETIÇÃO
O Festival de Cinema de Viana mantém a aposta no futuro do setor com duas secções competitivas: Prémio PrimeirOlhar (8 a 10 de maio), focado no cinema documental com a exibição e atribuição dos melhores filmes produzidos por alunos de escolas de cinema, de audiovisuais e de comunicação, ou por participantes em cursos promovidos por outras entidades de Portugal, de outros países de língua portuguesa e da Galiza.
A edição deste ano inclui o Júri Oficial, formado por João Trabulo (produtor e realizador), Miguel Ribeiro (realizador) e João Mariano (fotógrafo); o Júri Cineclubes é composto por Eva Ângelo (cineasta), Xabier Marqués Solla (Cineclube Ádega) e Sérgio António Vieira (professor de Artes Visuais) e o Júri Graça Lobo, formado por estudantes do ensino secundário e superior.
A 11 de maio, o TMSM acolhe ainda o Ação.12! Festival Luso-Galaico de Vídeo Escolar destinado a promover a cultura audiovisual em contexto escolar (do ensino básico e secundário).
O júri é formado por Cristian Silva (diretor do festival OLLOBOI, da Galiza), Laura Equi (realizadora de cinema de animação) e Pedro Meneses (professor na área do Cinema)
OLHARES FRONTAIS
João Trabulo (produtor), Miguel Ribeiro (realizador) e João Mariano (fotógrafo) ajudando-nos a pensar o que fazemos com as imagens que realizamos.
No âmbito da secção Olhares Frontais (6 a 8 de maio), a programação incidirá no tema ‘Tempos de reflexão, em tempos distintos’.
Este ano, a escola de cinema convidada é a Hellenic Cinema and Television School Stavrakos (HCTSS) e mantém-se a colaboração com a EFA – European Film Academy com uma seleção das melhores curtas-metragens europeias.
Ainda nos Olhares Frontais terá lugar a apresentação dos filmes candidatos aos prémios PrimeirOlhar.
Olhares Frontais são um espaço privilegiado de partilha e conhecimento entre alunos e professores das escolas de cinema, audiovisual e multimédia, mediadores, cineclubistas, investigadores, artistas e profissionais do meio cinematográfico.
No seu âmago, a programação pretende afirmar o pensamento como memória viva e em constante transformação. Entre cinema, masterclasses e conversas, constrói-se um espaço de resistência e pensamento.
CONFERÊNCIA INTERNCIONAL
Simultaneamente, a Conferência Internacional de Cinema de Viana (6 a 8 de maio) reúne académicos e profissionais para debater a interseção entre o cinema, a educação e a memória.
O programa inclui a palestra inaugural ‘Os Territórios da Fronteira’ com Filipa Rosário e Inês Dias; uma exposição de fotografias ‘Made In Portugal’ de alunos da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESE-IPVC) com a coordenação de Raquel Moreira; uma masterclass/aula pública intitulada “Ancient Voices, Future Images” com o realizador Tommaso Santambrogio-
Inclui ainda o seminário de discussão de projetos “Work In Progress”, coordenado por Paulo Cunha e com a apresentação dos projetos de Gabriel Luna e Rúben Sevivas; e ainda três mesas redondas com os temas de “Autobiografias: antropologia, cinema e educação”, “O Conceito do ‘Duplo’ (‘Doppelgänger’) na Filosofia, no Cinema e em Mundos Virtuais” e “Mapeamentos fotográficos, cartografias imaginadas”; o Laboratório de Práticas de Cinema na Escola e a presença especial do Gabinete de apoio do ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual para divulgar apoios a projetos fílmicos e audiovisuais. Esta Conferência é coordenada por Daniel Maciel, organizada pela AO NORTE com a ESS-IPVC.
CURSO ‘FORA DE CAMPO’
Nos dias 7 e 8 de maio acontece o curso ‘Fora de Campo’ na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo (ESEVC), sob o tema Cinema e Cidade. Este é um encontro dedicado à investigação e à prática criativa em cinema, ciências sociais, artes e comunicação, coordenado por José da Silva Ribeiro e Alfonso Palazón.
A primeira etapa centra-se na apresentação de pesquisas e práticas criativas seminais. A segunda etapa dedica-se aos ensaios e projetos desenvolvidos pelos participantes ao longo do ano, juntamente com trabalhos de universidades e instituições filiadas na associação Ao Norte.
A proposta para este ano visa compreender a cidade não apenas como um palco fixo, mas como um território em constante transformação. Conta com a participação de Jorge Campos, Marcos Zaván e Rita Bastos.
De 4 a 13 de maio terá lugar o módulo prático ‘Autobiografias: Antropologia, Cinema e Educação’, organizado em colaboração com a ESE-IPVC, a Universidade Rey Juan Carlos, de Madrid, e a Universidade Federal de Pernambuco, do Brasil.
EIXO LITERACIA CINEMATOGRÁFICA
Desde a sua génese, a vertente pedagógica assume um papel central no Encontros através do programa Escola no Cinema, que integra sessões para alunos do pré-escolar até ao ensino universitário (de 4 a 13 de maio, no Teatro Municipal Sá de Miranda e Cinema Verde Viana); oficinas nas escolas de 4 a 8 de maio (Cinema de Animação com as realizadoras Carolina Bonzinho e Laura Equi; e “A história do cinema contada em sequências” com o realizador e investigador Filipe M. Guerra; e ainda a oficina “As Imagens Hoje”, orientada por Miguel Ribeiro a 8 de maio).
Entre os dias 4 e 7; 11 e 13 de maio, o Festival inclui apresentação dos vídeos realizados ao longo do ano letivo por alunos de 18 escolas do concelho de Viana do Castelo – na secção Trabalhos de Casa.
Histórias na Praça (5 a 7 de maio, na Praça da República e ruas adjacentes) propõe a alunos e professores de vários ciclos de ensino desenvolver e participar no processo criativo de um filme (desde a preparação à rodagem), tirando partido dos temas do plano curricular.
Seis filmes vão ser coordenados e orientados pelo realizador Pedro Sena Nunes com as respetivas turmas selecionadas.
A apresentação pública acontece na próxima edição do Encontro no âmbito da secção Trabalhos de Casa.
Este ano fica-se a conhecer os trabalhos realizados no Histórias da Praça de 2025.
Desde 2001 foram produzidos mais de 100 vídeos e estiveram envolvidos cerca de 3000 alunos das mais diferentes escolas do ensino básico e secundário de Viana do Castelo.
Nos dias 4, 5 e 6 de maio, o Festival recebe o Sem um projeto luso-galaico de educação para o cinema promovido pela associação A Norte, em parceria com a Associação OLLOBOI, sediada em Boiro, na Galiza, e com as escolas EB 2,3 Frei Bartolomeu dos Mártires e IES A Cachada.
Quarenta alunos do 1.º ESO da IES A Cachada, na Galiza, e da EB Frei Bartolomeu dos Mártires, em Viana do Castelo, juntam-se para assistir a sessões de cinema, participar em oficinas de literacia fílmica e conviver.
Pela primeira vez, o Encontros de Cinema de Viana, em parceria com a ArtMatriz e a colaboração do Teatro do Noroeste/CDV, promovem ainda o Cinejogo, sessão de jogos de tabuleiro inspirados no Cinema, a 6 de maio na sala experimental do TMSM.
OUTRAS ARTES
A 8 de maio, na sede da Ao Norte, será lançada o 30.º livro da coleção ‘O Filme da Minha Vida’, dirigido pelo artista plástico Tiago Manuel.
A partir do repto lançado pela associação a autores portugueses de BD e ilustração para a criação de um álbum inspirado num filme que tenha deixado marcas nas suas vidas.
Nesta edição, Tiago Manuel e Jeanne Waltz, a autora, apresentam ‘Fim de Agosto no Hotel Ozono’, criado a partir do filme homónimo, e inauguram a exposição com as ilustrações da publicação.
Ainda a partir deste filme checo, a Galeria da Fundação Caixa Agrícola do Noroeste, inaugura, a 5 de maio, a exposição “Depois do Fim”, com curadoria de Filipe Rodrigues. Esta mostra estabelece um diálogo visual entre cinema e artes plásticas a partir do filme realizado em 1966 por Jan Schmidt.
O Festival de Cinema de Viana é organizado pela associação Ao Norte em parceria com o município.
FESTIVAL EM NÚMEROS
Desde o arranque, o Encontro já contou com a participação de cerca de 220.000 pessoas, ao longo de 25 edições. Foram exibidos mais de 340 filmes, incluindo curtas e longas-metragens nacionais e internacionais.
O evento contou já com mais de 110 cineastas convidados, promoveu 115 ações de formação, workshops e masterclasses, com foco nas escolas de Viana do Castelo.
Neste contexto, foram já promovidos mais de 70 ciclos de cinema e 38 exposições e foram estabelecidas parcerias com 35 escolas internacionais de cinema e artes visuais.
No que toca a alcance escolar, o Festival de Cinema de Viana já integrou mais de 3.000 alunos e centenas de professores de mais de 100 escolas da Europa.
Desde 2001 foram produzidos mais de 100 vídeos e estiveram envolvidos cerca de 3000 alunos das mais diferentes escolas do ensino básico e secundário de Viana do Castelo.
Website: http://www.encontrosdecinema.pt
A programação completa pode ser consultada aqui.





