A ex-atleta Manuela Machado, a maratonista portuguesa mais medalhada, mostra-se triste com a decisão da World Athletics de retirar a maratona dos Campeonatos do Mundo a partir de 2030, passando a existir um campeonato próprio.
“Eu, como ex-atleta e ex-maratonista, fico triste por isto acontecer, porque realmente vão acabar por dividir, com a maratona que é uma disciplina com uma história tão grande. Fico bastante triste”, afirmou a antiga maratonista natural de Viana do Castelo, que apenas é batida no total de ‘metais’ pelas quatro de Fernanda Ribeiro e Nelson Évora, em declarações à Lusa.
Manuela Machado sagrou-se campeã do mundo da maratona em Gotemburgo1995, dois anos depois de ter conquistado a prata em Estugarda1993, um feito que repetiu em Atenas1997, sempre com a emblemática prova incluída no programa dos Mundiais ao ar livre.
“Eu tenho cinco medalhas em Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo e, de todas elas, só a de 1997 não partimos do estádio, mas foi a que teve mais simbolismo e, embora tivesse sido prata, foi, sem dúvida, a que mais gostei, porque partimos em Maratona e chegámos ao Estádio Olímpico de Atenas”, recorda.
“DESPREZO PELA MARATONA”
Em 7 de abril, a World Athletics anunciou a criação de um campeonato autónomo para a maratona, a partir de 2030, alternando anualmente entre edições masculinas e femininas, determinando Pequim2027 e a edição de 2029 como as últimas a incluírem esta competição.
“Eu já não gostava muito de ver as maratonas nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos do Mundo, porque já pareciam mais uma maratona comercial, porque não se terminava no estádio, nem se partia no estádiocomo no meu tempo. Agora, fico ainda mais desagradada e triste por a disciplina, que eu tanto gostei, na qual eu fiz história, ter ficado à parte”, lamentou, considerando “um desprezo pela maratona”.






