A mais recente flotilha humanitária a caminho de Gaza foi intercetada pelas autoridades marítimas israelitas em águas internacionais, a algumas milhas da ilha grega de Creta. Entre as centenas de ativistas estavam pelo menos três cidadãos de nacionalidade portuguesa, cuja situação está a acompanhar o caso e garante que todo o apoio consular será prestado.
ATSF avança que um dos portugueses que integrava esta ação humanitária é ativista Nuno Gomes Em declarações à rádio, Dora Lemos, casada com o ativista, conta que os cidadãos intercetados “estão a caminho de Israel”, embora “contra a sua vontade, porque não tinham intenção nenhuma de ir para Israel”.
Dora Lemos contactou, por isso, o cônsul de Portugal em Telavive, que assegurou que ia visitar o ativista “assim que” este “puser os pés em Israel”. O consulado revelou ainda à também ativista que vai tomar as medidas necessárias para “garantir a segurança” de Nuno Gomes e concretizar o “repatriamento o mais cedo possível”.
“Neste momento temo pelo Nuno, mas não só pelo Nuno. Aquelas pessoas foram raptadas e não se sabe ao certo o que está a acontecer”, sublinha.
Sem mais informações ou respostas concretas, Dora Lemos pede agora que o Ministério de Paulo Rangel “contacte as autoridades israelitas e garanta a segurança de todos no percurso”. A ativista não esconde a revolta perante as ações das autoridades israelitas que, considera,“raptaram pacifistas e violaram a lei internacional”. E exige ao Governo que “tome uma decisão”, uma vez que Portugal “tem autonomia, é soberano e assina acordos relativamente ao direito internacional”.
Joana Rocha, uma outra ativista, relatou a situação numa publicação no Instagram.
GOVERNO ATENTO
O Governo esclarece, numa nota publicada no Portal das Comunidades Portuguesas, que está a acompanhar a situação a fim de “assegurar que seja dado um tratamento digno a todos os ativistas”, em particular os portugueses.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros adianta ainda que “nenhum destes cidadãos ou outros contactou o Estado português para informar da sua participação” na Flotilha Sumud, mas assegura, ainda assim, que “será prestado todo o apoio consular aos cidadãos nacionais”, assim que as autoridades israelitas confirmem a sua detenção.
Antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que “as nossas autoridades consulares em Telavive e em Atenas estavam a fazer todas as diligências para darem a proteção consular a estes ativistas que terão sido detidos, e eventualmente a outros que possam vir a ter problemas com Israel”, disse Paulo Rangel.
“Toda a proteção diplomática está ativada, aliás já tinha sido ativada preventivamente, mas está neste momento ativada nas duas capitais [Telavive e Atenas], onde ela pode ter efeitos favoráveis aos nossos cidadãos”, acrescentou.
Na noite de quarta-feira, o exército israelita surpreendeu a Flotilha ‘Global Sumud’ quando esta estava em águas internacionais, a 1.200 quilómetros do destino final, a Faixa de Gaza.
Pelo menos três portugueses participam na flotilha, avançou esta quinta-feira o Governo português.
O resultado foi a interceção de 22 dos 58 navios de vários países que compunham a missão e a detenção de 175 ativistas de diferentes nacionalidades, segundo números atualizados citados pela agência espanhola EFE.
Vinte e seis navios da flotilha que conseguiram escapar da incursão noturna do exército israelita estão ancorados a sul da Grécia, segundo o radar instalado pela organização da iniciativa. Outras dez embarcações navegam na zona da interceção.
Com TSF e agências






