O município de Braga alcançou em 2025 o melhor resultado de sempre no que respeita à área ardida em incêndios rurais, em resultado de uma “estratégia consistente” de prevenção, de vigilância e de primeira intervenção, informa a autarquia em comunicado
O comunicado adianta que ao longo do último ano, e através do trabalho desenvolvido pelo Serviço Municipal de Proteção Civil em “estreita articulação” com as diversas entidades que integram o sistema local de proteção civil, foram registadas 56 ocorrências, que resultaram em apenas 7,6 hectares de área ardida.
“Este desempenho supera os resultados obtidos em 2024 (então considerados os melhores das últimas décadas) confirmando a eficiência das políticas municipais de mitigação do risco e de proteção do território”, refere a autarquia.
AÇÕES REALIZADAS
No âmbito da execução das faixas de gestão de combustível em torno das edificações da responsabilidade dos proprietários privados, foram instaurados 140 processos por incumprimento, refletindo “a firme determinação do município em assegurar o cumprimento das normas legais e a redução do risco de ignição junto de zonas habitadas”.
A autarquia adiante que ao longo do ano foram realizadas 299 deslocações ao terreno e outras diligências técnicas, num total de 4184 quilómetros percorridos pelas equipas municipais. Paralelamente, registaram-se intervenções voluntárias em 36,64 hectares. Em 12 situações foi necessário avançar com execuções coercivas, garantindo a salvaguarda das populações e a proteção das áreas florestais.
Relativamente aos trabalhos de gestão de combustível (da responsabilidade direta do município) ao longo da rede viária, em parques industriais e nas zonas envolventes aos pontos de água estratégicos, estes foram assegurados pelas equipas de Sapadores Florestais protocoladas com o município de Braga, com o apoio dos operacionais do Serviço Municipal de Proteção Civil e com recurso aos equipamentos integrados no programa Cuidar Braga II.
Foram intervencionados 81,41 hectares, o que corresponde a uma taxa de execução muito próxima da totalidade do previsto no Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios.
SENSABILIZAÇÃO PÚBLICA
A prevenção assumiu igualmente “uma forte componente de sensibilização pública”, afirma o vice-presidente da Câmara de Braga, Altino Bessa, citado no comunicado.
“Durante o ano de 2025, o município promoveu e participou em 14 sessões presenciais de sensibilização dirigidas à comunidade, complementadas por diversas campanhas informativas”, refere o também vereador da Proteção Civil
Entre as medidas preventivas adotadas, Bessa destaca a proibição da realização de queimas de sobrantes entre 1 de junho e 30 de outubro, uma prática frequentemente associada a uma elevada percentagem de incêndios rurais. “Esta decisão revelou-se particularmente relevante para os resultados alcançados, contribuindo de forma significativa para a redução do número de ocorrências registadas no concelho”, diz.
Altino Bessa, refere que estes resultados representam “a demonstração clara de que uma política pública consistente, sustentada na prevenção e na cooperação institucional gera resultados concretos na proteção das pessoas e do território”.
“Trata-se de um resultado histórico que confirma a eficácia do trabalho articulado entre o município, as forças de proteção civil e todas as entidades que diariamente estão no terreno. Temos vindo a afirmar uma estratégia séria e responsável na prevenção dos incêndios rurais assente no planeamento, na vigilância e numa capacidade de resposta rápida que tem permitido controlar as ignições ainda numa fase inicial. É importante não esquecer que estes números são também reflexo de um crescente envolvimento da comunidade e do trabalho em rede”, sublinha.
Segundo Bessa, “é importante reconhecer o contributo da população que tem demonstrado maior consciência e responsabilidade na adoção de comportamentos preventivos. A proteção da floresta e do território é uma responsabilidade coletiva e estes resultados mostram que quando todos fazem a sua parte é possível alcançar níveis de segurança muito mais elevados”.
ALERTAS
Apesar do desempenho alcançado, o autarca alerta que o risco nunca pode ser totalmente eliminado.
“Não podemos garantir que não ocorram incêndios de maior dimensão, sobretudo num contexto de alterações climáticas cada vez mais exigente. Aquilo que podemos assegurar aos bracarenses é que continuaremos a reforçar a prevenção, a vigilância e a capacidade de resposta”.
DISPOSITIVO DA PROTEÇÃO CIVIL
O Dispositivo Municipal de Vigilância e Primeira Intervenção integrou o Batalhão Sapadores Bombeiros de Braga, os Bombeiros Voluntários de Braga, a Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública, o Regimento de Cavalaria n.º 6, a Polícia Municipal, as equipas de Sapadores Florestais, as equipas da Divisão de Proteção Civil e ainda as Unidades Locais de Proteção Civil de Pedralva, Sobreposta, Este (S. Mamede e S. Pedro), Lomar e Arcos. Este dispositivo envolveu 58 operacionais e 18 viaturas nas ações de vigilância e primeira intervenção, permitindo reforçar a capacidade de deteção precoce e resposta rápida a qualquer ignição.






