Um homem tetraplégico consegue agora alimentar-se e beber de um copo e recuperou a sensação tátil graças a um implante cerebral para pessoas com lesões medulares.
O procedimento, que traz uma nova esperança para pessoas com lesões medulares, mostrou-se seguro a longo prazo, mas são necessários mais testes.
Keith Thomas ficou tetraplégico há seis anos. Na altura com 42 anos, partiu o pescoço ao mergulhar numa piscina. Perdeu os sentidos e, quando os recuperou, tinha um helicóptero no jardim de casa. Estava tetraplégico e sua vida tinha mudado.
Segundo o The Guardian, graças a um implante cerebral, um género de “dupla ponte neural”, e 35 meses de fisioterapia, conseguiu voltar a mexer os membros superiores: foi capaz de abrir e fechar a mão, comer sozinho e beber de um copo.
O implante envia também sinais ao cérebro para recriar a sensação de tato. Agora, descreve o jornal britânico, Keith consegue sentir a mão da irmã e o pelo do seu cão. Conseguiu até manusear cascas de ovos.
Foi em outubro de 2021 que o homem aceitou participar num ensaio clínico de três anos, com a “dupla ponte neural”.
Os elétrodos implantados no cérebro detetam quando Keith Thomas quer mexer os braços. Ao mesmo tempo, sensores de pressão nas mãos e dedos detetam o contacto com objetos e enviam sinais de volta ao cérebro para simular a sensação de tato.
Num artigo publicado esta quinta-feira na Nature Medicine, os investigadores descrevem que a força no braço direito de Keith Thomas aumentou 86% e no esquerdo 62%. O homem conseguiu limpar a cara e coçar o nariz sozinho.
Foi ainda desenvolvida uma técnica que permitiu que o homem recuperasse a sensibilidade tátil numa região dormente desde o acidente.
Dois anos depois, o paciente mantinha os movimentos e a sensação de tato, o que para os autores do estudo é “encorajador”.
“Para mim, é um momento incrível (…). Há anos que pretendemos recuperar o movimento e o tato e criar efeitos duradouros”, afirma Chad Bouton, professor nos Feinstein Institutes for Medical Research e um dos investigadores.
O investigador acredita que os progressos serão aplicados a milhões de pessoas no mundo.
Apesar dos avanços promissores, os investigadores defendem que são necessários testes adicionais para verificar a eficácia em pacientes com diferentes lesões na medula espinhal.
Com SIC






