Portugal, Espanha e Grécia são os países onde os consumidores mais recorrem a plataformas chinesas de comércio eletrónico como a Temu, a Shein e a AliExpress, “onde mais de 70% dos consumidores afirmaram efetuar compras nestas plataformas”. Em contrapartida, a utilização é mais reduzida na Alemanha e em França, onde menos de metade dos consumidores recorre a estes serviços.
Segundo o BCE, “a forte penetração destas plataformas no sul da Europa aponta para diferenças significativas entre os países em termos de hábitos de consumo, conhecimento das plataformas, infraestruturas de entrega, confiança dos consumidores e alternativas de retalho locais”.
O BCE refere ainda que “a utilização é mais comum entre as famílias de baixos e médios rendimentos”. “Este facto é consistente com a forte influência do fator preço: os consumidores com orçamentos mais limitados podem ser particularmente recetivos a ofertas de baixo custo. Ainda assim, muitas famílias com rendimentos mais elevados também recorrem às plataformas chinesas”, acrescenta.
Os dois principais fatores que levam os consumidores europeus a comprar através destas plataformas são os preços reduzidos e a grande variedade de produtos disponíveis.
“As considerações relacionadas com o preço dominam claramente as respostas abertas dos inquiridos. Palavras como “preço”, “barato” e “mais barato” surgem com elevada frequência. Isto reforça o papel central da acessibilidade. Para muitos consumidores, estas plataformas representam uma forma de otimizar o orçamento familiar, numa altura em que o custo de vida continua a ser uma preocupação”, refere o BCE.
O segundo fator mais relevante é a variedade da oferta. “Os consumidores valorizam a ampla gama de produtos disponíveis, incluindo artigos de nicho, acessórios e produtos que podem ser difíceis de encontrar nas lojas locais. Em suma, os preços baixos combinados com uma extensa variedade de produtos parecem constituir a principal vantagem competitiva destas plataformas”, acrescenta o banco central.
O QUE SE COMPRA?
Mas o que compram os consumidores europeus nas plataformas chinesas? Principalmente vestuário, artigos para o lar e outros bens de consumo adquiridos através do comércio eletrónico.
“A grande maioria das encomendas é de baixo valor: quase dois terços não ultrapassam os 25 euros e cerca de 90% ficam abaixo dos 50 euros. Além disso, um em cada cinco inquiridos afirmou realizar compras nestas plataformas pelo menos uma vez por mês”, refere o BCE.
Já entre os fatores que afastam os consumidores europeus destas plataformas destacam-se a perceção de baixa qualidade dos produtos, a falta de confiança e as preocupações ambientais.
“Muitos inquiridos associam os produtos vendidos nestas plataformas à incerteza quanto à sua qualidade, nomeadamente em termos de durabilidade e fiabilidade. Para estes consumidores, os preços baixos não compensam o receio de que os produtos não correspondam às expectativas», refere o BCE.
A instituição acrescenta que os entrevistados também manifestaram preocupações relacionadas com a proteção de dados pessoais, a segurança dos pagamentos, o serviço de apoio ao cliente e a fiabilidade das plataformas.
Segundo o BCE, “as preocupações ambientais também surgem com destaque”, com vários consumidores a manifestarem reservas relativamente ao impacto ambiental do transporte de longa distância, ao excesso de embalagens, às devoluções frequentes e às condições de produção dos bens comercializados.
Recorde-se que desde o dia 1 de julho a União Europeia eliminou a isenção de direitos aduaneiros para encomendas vindas da China até 150 euros, criando uma taxa transitória de 3 euros por categoria de mercadoria.
De acordo com uma comunicação da Comissão Europeia sobre comércio eletrónico, em 2024 cerca de 90% de todas as remessas de comércio eletrónico com valor até 150 euros que entraram na União Europeia provinham da China.
Com jornal PT50





