A Assembleia Municipal de Melgaço aprovou, por unanimidade, pedir à ministra da Saúde e à Unidade Local de Saúde do Alto Minho uma “intervenção urgente” para resolver a situação de “abandono” do concelho, a 100 quilómetros do hospital distrital.
“Um utente com um problema de saúde agudo que precise de avaliação médica e se dirija ao Centro de Saúde não tem qualquer garantia de atendimento atempado”, escreve-se na moção apresentada e divulgada em comunicado pelo PS de Melgaço, que mereceu também os votos favoráveis da maioria social-democrata na Assembleia Municipal (AM).
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara, Albano Domingues, reconheceu que “a saúde é um tema que preocupa o território, tendo em conta o acentuado envelhecimento populacional, a alargada dilação temporal entre a marcação e a realização das consultas de medicina geral e familiar, e o enorme tempo/distância com relação à unidade de saúde distrital, em Viana do Castelo”.
O autarca eleito em outubro de 2025 rejeita, contudo, que exista “qualquer degradação dos serviços de saúde no concelho desde que o Governo em funções tomou posse”.
Albano Domingues revelou ainda estar a dialogar com a ULSAM para uma “eventual implementação local da USF [Unidade de Saúde Familiar]”
“Tem havido regulares diligências e diálogo frutuoso com o Conselho de Administração da ULSAM, com vista a tratar de problemas pendentes”, disse.
O presidente da Câmara destacou também a aprovação recente de um contrato programa com a Cura Aquae, empresa que gere o Parque Termal do Peso.
O acordo vai permitir que cerca de 1.200 munícipes por ano usem as águas daquela instância termal para o tratamento terapêutico da diabetes.
ABANDONO NA ÁREA DA SAÚDE
Na moção aprovada na quinta-feira, a AM de Melgaço exigiu, devido à “situação de abandono na área da saúde”, a “marcação de consultas de medicina geral e familiar atempada”, terminando com uma “situação escandalosa de demora de vários meses”.
A AM apela, igualmente, ao alargamento do horário da consulta aberta até às 00h00, “garantindo o atendimento, de acordo com as necessidades da população”.
Por outro lado, “dada a distância em relação ao hospital distrital”, a AM quer que seja garantido “o acesso local a consultas das especialidades mais procuradas, bem como à realização de meios complementares de diagnóstico”.
No documento, os deputados referem que, atualmente, as consultas de medicina geral têm uma demora superior a seis meses.
Assinalam igualmente uma “extrema dificuldade em conseguir obter uma consulta aberta”.
Isto, dizem, obriga “os utentes a deslocar-se de madrugada para a porta do Centro de Saúde sem garantia de atendimento, dada a exiguidade das vagas”.
Os membros da AM de Melgaço indicam também uma “grande dificuldade em obter receitas de medicamentos e obtenção ou apresentação de exames complementares de diagnóstico”.






