O Ministério Público e a Autoridade Tributária regressaram, esta semana, às residências de luxo de Armando Pereira, em Guilhofrei, em Vieira do Minho, e de Hernâni Vaz Antunes, em Gualtar, Braga, desta vez com o apoio de seis inspetores da Polícia Judiciária francesa.
As buscas inserem-se na investigação da Operação Picoas, que envolve suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais no seio do grupo Altice.
Estas diligências surgem na sequência de uma megaoperação em França, realizada em novembro de 2025, que levou à busca de 15 casas e 14 empresas, apreendendo veículos, artigos de luxo e mais de 14 milhões de euros em contas bancárias. Na altura, as autoridades francesas recorreram à colaboração judiciária internacional, com inspetores da Autoridade Tributária portuguesa a deslocarem-se a França. Agora, a colaboração é feita no sentido inverso, após surgirem novos factos e suspeitas a investigar em território nacional.
No total, cerca de 80 elementos participam nas buscas em Portugal, entre procuradores do Ministério Público, inspetores tributários e agentes da PSP, incluindo os responsáveis pela investigação em Braga, o Procurador Rosário Teixeira e o Inspetor Tributário Paulo Silva, conhecidos por participarem em casos mediáticos como a Operação Marquês e a Operação BPN.
Em julho de 2023, Armando Pereira e Hernâni Vaz Antunes chegaram a ser detidos para interrogatório e ficaram em prisão domiciliária. A coação terminou após o pagamento de cauções de 10 milhões de euros e 1,5 milhões de euros, respetivamente.
Atualmente, Armando Pereira está indiciado por 11 crimes, incluindo seis de corrupção ativa, um de corrupção passiva no setor privado e quatro de branqueamento de capitais. Hernâni Vaz Antunes é suspeito de mais de 20 crimes, envolvendo corrupção ativa, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.
O processo centra-se numa alegada “viciação decisória” do grupo Altice em contratações internas, com práticas consideradas lesivas para a empresa e a concorrência, e estimativas indicam que o Estado português possa ter sido lesado em mais de 100 milhões de euros.
As autoridades portuguesas e francesas prosseguem as diligências para recolher provas adicionais que sustentem as suspeitas, com atenção especial às residências, empresas e contas bancárias dos investigados.






