A Sociedade Martins Sarmento comemora mais um aniversário do escritor Raul Brandão, nascido na Foz do Douro (Porto), a 12 de março de 1867 e que viveu em Lisboa e em Guimarães, na Casa do Alto, “o cantinho rústico”, onde escreveu uma parte significativa da sua obra literária.
Este ano, a centenária instituição cultural vimaranense revisita a obra ‘A morte do palhaço e o mistério da árvore’, editada em 1926.
Segundo os investigadores brandonianos, este livro é uma espécie de reescrita/ refundição do livro da juventude, ‘História dum palhaço. (A vida e o diário de K. Maurício)’, que denota marcadas variações estilísticas e de estrutura. Como observa João Pedro de Andrade (1963), enquanto a primeira edição se caracterizava por uma escrita “instintiva, desalinhada, caótica”, na segunda edição o autor “Quis arranjar, compor, arrumar devidamente uma criação de delírio, e tirou a espontaneidade a um depoimento que surgira no momento próprio”.
Os escritos que compõem a obra foram sendo parcialmente publicados, entre 1894 e 1895, em vários periódicos da época, na “Revista d’hoje”, no “Correio da manhã” e na revista “O micróbio”, refletindo, como aponta Vitor Viçoso (2021), “o modo dispersivo como o autor exercia por esta época a sua atividade literária (…) dando a entender que Raul Brandão, para satisfazer as solicitações editoriais a que era sujeito, recorria aleatoriamente aos seus esboços visionários”.
A edição de 1926, com ilustrações de Martinho da Fonseca, está organizada em quatro partes, “K. Maurício”, “A morte do palhaço” (subdividida em “A casa de hóspedes”, “Halwain”, “Camélia”, “Sonho e realidade” e “Última farsa”), “Diário de K. Maurício” e “Os seus papéis” (composta pelos contos “A luz não se extingue”, “O mistério da árvore”, “Primavera abortada” e “Santa Eponina”). “A morte do palhaço e o mistério da árvore” é uma composição literária povoada por diversas personagens – K. Maurício, o Doido, o Anarquista, o Gregório, o Palhaço, o Poeta, o Pita e a Velha –, através das quais Raul Brandão reflete sobre a realidade e o sonho, sobre os que se encontram na “periferia da vida” e vivem do sonho.
O livro ‘A morte do palhaço e o mistério da árvore’, de Raul Brandão, está em exposição, até 19 abril 2026, na Sala de Leitura, da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.







