A Unidade Local de Saúde de Braga “pode e deve afirmar-se” como Centro de Referência em áreas de elevada diferenciação mesmo se se concretizar a aspiração de ver o seu hospital transformado em hospital universitário.
A ideia foi defendida, esta sexta-feira, pelo presidente do conselho de administração da ULS bracarense na conferência ‘Estado da Arte dos Centros de Referência em Portugal. Como estamos? Para onde vamos?’, um encontro dedicado à discussão do papel destes centros no futuro do SNS – Serviço Nacional de Saúde e da forma como podem contribuir para cuidados mais diferenciados e equitativos.
Enquadrando o tema num “momento particularmente exigente” para o SNS, em que a diferenciação se assume como “uma necessidade estratégica”, Américo Afonso afirmou que, nesse contexto, diferenciar “significa garantir melhores resultados clínicos, utilizar os recursos de forma mais eficiente, ampliar a capacidade de inovação e reforçar a atração e a retenção de profissionais altamente qualificados”.
“Muito se tem falado, justamente, sobre a nossa aspiração de obter o estatuto de ULS Universitária. Trata-se de uma visão estratégica que acreditamos poder reforçar a integração entre a assistência, o ensino, a investigação e a inovação. Mas essa ambição não é incompatível com outra igualmente importante”, disse, defendendo que “a ULS Braga pode e deve afirmar-se também como Centro de Referência noutras áreas de elevada diferenciação”.
O responsável sustentou que a instituição reúne condições para o fazer, destacando “a forte ligação académica e científica, as equipas clínicas reconhecidas, a capacidade tecnológica instalada, uma cultura de trabalho multidisciplinar e volumes clínicos que permitem consolidar experiência e obter resultados robustos”.
“Pode fazê-lo porque já o faz diariamente, graças à excelência dos seus profissionais”, sublinhou.
TRATAR MELHOR O UTENTE
Américo Afonso defendeu ainda que o valor destes centros vai muito além do prestígio institucional.
“Os Centros de Referência representam melhores cuidados para os doentes, maior equidade no acesso à diferenciação, reforço da investigação clínica, ambientes mais estimulantes para os profissionais e maior capacidade de afirmação do SNS enquanto resposta pública de elevada qualidade”, referiu.
“Esta ambição tem reflexo concreto na atividade recente da instituição”, acrescentou, apontando a realização na ULS Braga, na semana passada, o seu primeiro implante coclear pediátrico, “um marco que ilustra bem o caminho de diferenciação em causa e aproxima a instituição de afirmar-se como referência também nesta área”.
Já o presidente da Comissão Nacional para os Centros de Referência (CNCR) explicou o funcionamento dos atuais Centros de Referência, bem como na análise dos pedidos de formalização de novos centros junto da tutela.
Eduardo Barroso valorizou o contributo das instituições situadas fora dos grandes eixos urbanos. “É importante que cidades como Braga possam, nalgumas áreas, dizer que existem aqui grandes centros de referência e que tenham as condições para o ser”, afirmou.
Eduardo Barroso deixou ainda claro o propósito que está na origem destes centros. “A ideia de criar os Centros de Referência tem um único objetivo: tratar melhor o utente que nos procura”, concluiu.
Fernando Gualtieri (CP 7889)






