O secretário-geral do PS acusou esta segunda-feira, em Viana do Castelo, o Governo de andar num “baile de máscaras” com o presidente do Chega, André Ventura, sobre o pacote laboral, considerando que o Executivo está tomado pela “desumanidade” e considerou o concelho vianense um exemplo de economia do mar.
Em declarações aos jornalistas, nos estaleiros da `West Sea´, em Viana do Castelo, José Luís Carneiro afirmou que “o Governo está tomado pela desumanidade, está tomado pela insensibilidade” e que “não tem pejo em estar neste baile de máscaras com o Chega”.
Questionado como veria primeiro-ministro e o André Ventura a chegarem a acordo para a viabilização do pacote laboral, respondeu: “O Diabo veste Prada.”
Para José Luís Carneiro “o primeiro-ministro prefere andar entretido num autêntico baile com o líder da extrema direito, com o fito de embaratecer os despedimentos, liberalizar os despedimentos e aumentar a precariedade e prejudicar as condições de vida dos mais jovens, das mulheres e das famílias”.
Contrariamente à visão que o Governo, adiantou, que o PS “olha para a economia portuguesa como a economia que tem de ser mais produtiva, que tem de ser mais competitiva, que tem de ser capaz de pagar mais salários e melhores salários e tem de ser capaz, simultaneamente, de garantir a preparação de um plano de formação, reconversão e de formação ao longo da vida para enfrentar os desafios da inteligência artificial e da transição digital”.
VIANA, EXEMPLO DE ECONOMIA DO MAR
“A economia do mar é um dos vetores que mais pode contribuir para a produtividade e o crescimento económico e a melhoria das remunerações salariais do nosso país. E, por isso, hoje encontramos naquele que é um dos polos de desenvolvimento da economia do mar, que é Viana do Castelo”, sustentou.
José Luís Carneiro frisou que “Viana do Castelo hoje emprega direta e indiretamente mais de mil pessoas no setor da economia ou nos setores da economia do mar”.
“Desde a produção e a recuperação de manutenção naval, que é o que estamos a visitar agora, até, por outro lado, a produção de energia em ‘offshore’ com o modelo de inovação que hoje é um exemplo para toda a Europa que acabei de visitar”, apontou.
Disse que “o caminho” que o PS tem “para o país é o de apostar nos fatores de produtividade, seja na economia do mar, seja naquilo que é o potencial de setores que estão a revitalizar-se por força da vida internacional”
“Por exemplo, estão a ser construídos seis novos navios para duplo uso, para uso civil e militar, com financiamento do plano de recuperação e de resiliência aqui nos estaleiros de Viana do Castelo e é pela valorização dos fatores e das variáveis do crescimento da economia portuguesa que nós poderemos responder às mais jovens e mais qualificadas gerações e às famílias dizendo-lhes que há condições de alternativa política àquilo que o Governo está a defender”, defendeu.
“A IDEOLOGIA NÃO SE SERVE À MESA”
O secretário-geral do PS anunciou que, na terça-feira, vai apresentar “uma matriz para a produtividade, a competitividade, para melhores salários e, particularmente, para preparar aquilo que vai ser o impacto futuro da inteligência artificial e da transição digital”.
“Muitas das nossas atividades profissionais, da voz, do jornalismo, dos assistentes técnicos, dos assistentes administrativos, das áreas que são de produção repetitiva, que serão substituídas pela inteligência artificial e pela transição digital e que exigem um plano de formação, de capacitação, de reconversão profissional, porque é disso que nós estamos a falar quando falamos das questões essenciais. Mas nada disto tem ocupado o tempo do Governo”, disse.
Segundo José Luís Carneiro, “o Governo tem-se preocupado e tem estado ocupado com a ideologia, em relação às bandeiras LGBT, com a ideologia em relação às questões da nacionalidade, com a ideologia em relação às questões da imigração”.
“A ideologia não que serve à mesa, naquilo que todos os dias as pessoas têm que comer, naquilo que as pessoas têm que responder em termos de necessidades para pagar as rendas da casa, para conseguirem fazer face às dificuldades concretas das pessoas”, referiu, antes de se reunir com a administração da West Sea.
Antes da deslocação aos estaleiros da West Sea, no âmbito da ‘Rota pela Economia do Mar’ que está a realizar, o secretário-geral do PS visitou à empresa Windfloat, mas não foi permitida a presença dos jornalistas.






