Um novo medicamento injetável semanal para a diabetes tipo 2, chamado Retatrutide, mostrou resultados muito promissores num ensaio clínico de fase 3, reduzindo significativamente os níveis de açúcar no sangue e promovendo uma perda de peso substancial.
Ao contrário de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que atuam principalmente sobre a hormona GLP-1, ou Mounjaro, que combina GLP-1 e GIP, a retatrutide atua em três hormonas intestinais: GLP-1, GIP e glucagina. Esta ação tripla ajuda a controlar o apetite, os níveis de glicose e o metabolismo, aumentando também o gasto energético.
O estudo, publicado na revista médica The Lancet, envolveu 930 adultos com diabetes tipo 2 e excesso de peso ou obesidade. Após 40 semanas, os participantes tratados com retatrutide registaram uma redução da HbA1c (indicador do controlo da glicose) entre 1,7 e 1,9 pontos percentuais, comparando com 0,8 pontos no grupo placebo.
A perda média de peso variou entre 11,5% e 15,3% do peso corporal, face a apenas 2,6% no grupo placebo e também se observaram melhorias nos níveis de colesterol e na pressão arterial.
Os efeitos secundários foram sobretudo gastrointestinais (náuseas, vómitos ou diarreia), geralmente ligeiros ou moderados e tendendo a diminuir ao longo do tempo. Foram registados alguns eventos adversos graves, mas segundo o The Guardian os investigadores não identificaram novos problemas de segurança relevantes.
Especialistas independentes consideraram os resultados impressionantes, sobretudo a magnitude da perda de peso. No entanto, alertam que o estudo comparou a retatrutide apenas com placebo e não diretamente com medicamentos já disponíveis, como a semaglutida ou a tirzepatida. Por isso, ainda não é possível concluir se este novo tratamento é superior aos atuais.
Os investigadores defendem que a retatrutide pode tornar-se uma opção importante para pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade, mas são necessários mais estudos para avaliar os seus efeitos a longo prazo e compará-la diretamente com os tratamentos já existentes.






