A Comissão de Utentes da Saúde de Braga veio a público defender a legalidade da sua atuação e rejeitar acusações de divulgação de informação falsa, afirmando que o Conselho de Administração não terá apresentado qualquer prova nesse sentido nem desmentido conteúdos anteriormente divulgados.
Em comunicado, a comissão sustenta que sempre cumpriu “as leis, prazos e trâmites legais” aplicáveis, sublinhando que a sua intervenção se enquadra na defesa dos utentes e na fiscalização da gestão da coisa pública. O grupo afirma ainda que o direito à crítica e à exigência de transparência são “fundamentais num Estado democrático”.
As declarações surgem na sequência de tensões com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Braga, que a comissão acusa de não responder a questões colocadas por escrito numa reunião recente entre as duas entidades.
DESCONFIANÇA
O grupo de utentes critica o que descreve como ausência de esclarecimentos relativamente a alegadas denúncias feitas por profissionais de saúde, considerando que o silêncio institucional contribuiu para um clima de “desconfiança” entre utentes e para o desgaste da imagem do serviço público de saúde.
A comissão vai mais longe, acusando a administração de resistência à crítica e de falta de respeito pelos princípios de transparência e liberdade de expressão, acusações que não foram, para já, comentadas publicamente pela administração da ULS de Braga.
No mesmo comunicado, a comissão reitera o pedido de demissão do Conselho de Administração, alegando falta de explicações sobre matérias consideradas “essenciais para os doentes” e para o funcionamento da unidade hospitalar.
O grupo defende ainda a criação e funcionamento do Conselho Consultivo da ULS e a nomeação de um Provedor do Utente, após auscultação dos utilizadores do sistema.
Em paralelo, a comissão anunciou a realização de uma ação pública esta terça-feira, a partir das 09h00, junto ao hospital, onde pretende recolher assinaturas para duas petições: uma contra a cobrança de taxas no estacionamento e outra relacionada com a defesa do Serviço Nacional de Saúde e a oposição a modelos de gestão privada.
A iniciativa insere-se, segundo a comissão, numa estratégia contínua de mobilização cívica em defesa do acesso universal à saúde e da melhoria das condições de funcionamento do serviço público na região de Braga.


