A Contextile – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, que decorre entre 5 de setembro e 29 de novembro, em Guimarães, apresenta 54 obras de 51 artistas de 27 países, entre eles o chinês Ai Weiwei como artista convidado.
A apresentação da programação da 8.ª edição do certame decorreu, esta quinta-feira, junto aos Tanques da Fraterna, na histórica zona de Couros, que integra o maior conjunto de tanques da antiga indústria de curtumes local, na presença do diretor e da diretora artística da Contextile, Joaquim Pinheiro e Cláudia Melo, e da vereadora da Cultura do município, Isabel Ferreira.
“Durante 85 dias, Guimarães será palco de um programa vibrante e multidisciplinar, em torno do tema – ‘Por um Fio/By a Thread’ – que inclui exposições, residências artísticas, performances, intervenções no espaço público, ‘workshops’ e o ciclo Textile Talks -, celebrando a riqueza da arte contemporânea e da cultura têxtil”, sublinha a organização.
Segundo o diretor da Contextile, Joaquim Pinheiro, a edição deste ano vai ter “uma escala muito maior” face às anteriores, nomeadamente ao nível das intervenções em espaço público.
A vereadora da Cultura do município de Guimarães destacou a manifestação cultural da bienal, acrescentando Isabel Ferreira que a Contextile vai ser “um momento marcante” para a cidade.
A exposição internacional, no Palácio Vila Flor – Centro Cultural Vila Flor, conta com 54 obras de 51 artistas de 27 países, selecionados pelo júri de entre os 1.604 artistas, de 81 países, que submeteram 2.036 obras em resposta à convocatória aberta para a exposição internacional.
O prémio de aquisição e as menções honrosas para a exposição internacional serão entregues na abertura da Contextile 2026, que tem lugar a 5 de setembro.
AI WEIWEI, ARTISTA E ATIVISTA
O chinês Ai Weiwei é o artista em destaque na edição deste ano, “produzindo obras inéditas que serão apresentadas em vários espaços da cidade” de Guimarães.
Ai Weiwei terá intervenções no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), na Praça da Plataforma das Artes e Criatividade e no Tanque dos Couros – Fraterna.
“Cidadão global, artista e pensador, Ai Weiwei, nascido em 1957, Pequim, China, move-se entre modos de produção e investigação. Além das preocupações com a forma ou o protesto, Ai Weiwei tem medido, mais recentemente, a nossa existência em relação às forças económicas, políticas e sociais, unindo o saber-fazer tradicional à criatividade conceptual”, indica a Contextile.
Em novembro de 2010 ficou em prisão domiciliar depois de anunciar a organização de uma confraternização em Xangai, com que pretendia denunciar a demolição do seu estúdio nessa cidade, ação ordenada e executada pelas autoridades chinesas em razão de sua ilegalidade.
Por sua parte, Ai Weiwei negou, assinalando que tinha o beneplácito das autoridades de Xangai e que a atuação do governo só obedecia a um castigo contra ele por seu apoio à dissidência no país. Pouco depois, o governo chinês ordenou demolir seu estúdio.
Em abril de 2011, Ai Weiwei acabou sendo preso pelas autoridades chinesas quando embarcava para Hong Kong. Poucas horas após sua detenção, seu estúdio em Pequim foi invadido por mais de 40 policiais. Dezenas de itens foram confiscados e funcionários foram interrogados. Passou três meses detido num local secreto
RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS
Em parceria com Guimarães Capital Verde Europeia 2026, as residências artísticas desta edição – ‘Weaving The Green/Tecer o Verde’ – “reforçam a sinergia entre o têxtil contemporâneo, a indústria têxtil, as tradições e as matérias-primas da região com as temáticas da sustentabilidade e com foco na criação de obras escultóricas e instaladas em espaço público” de Guimarães.
As Emergências – ensino artístico e criação têxtil vão acontecer no Instituto de Design de Guimarães (IDEGUI) e dá continuidade à iniciativa das anteriores edições de a Contextile “convidar escolas de arte que incluem disciplinas de base têxtil a envolver os seus alunos no desafio de criar e produzir obras de arte têxtil”, a ser apresentados numa exposição dedicada.
Na exposição ‘A change in the weather? Material story telling in na age of uncertainity’, a curadora Janis Jefferies convida artistas de diferentes nacionalidades para abordar temáticas atuais da sustentabilidade, das alterações climáticas e dos desafios da sociedade, em estreita relação com o tema da bienal.
Teresa Lanceta (Espanha), Jakkai Siributr (Tailândia), Simon Callery (Inglaterra) e Movana Chen (Hong Kong) são os artistas convidados por Janis Jefferies.
O ‘Growing House’ é um projeto com a curadoria de Assadour Markarov e alunos da Academia de Arte da China, Hangzhou.
“Ao abordar a ‘casa’ não apenas como um lugar habitado pelo corpo, mas também como um indício psicológico de segurança e abrigo, o projeto ‘Growing House’ surge como uma resposta poética/um antídoto à complexidade de viver nos dias de hoje e ao ritmo exaustivo e acelerado de uma sociedade movida pela velocidade”, explica a Contextile.






