O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, voltou a defender que o 24 de Junho seja celebrado como feriado nacional em 2028, ano em que se cumprem 900 anos da Batalha de S. Mamede, travada a 24 de Junho de 1128.
A posição do autarca foi sublinhada no discurso proferido na sessão solene comemorativa do 24 de Junho de 1128, no Centro Cultural Vila Flor, perante o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, em representação do Governo, autarcas, representantes institucionais, convidados, homenageados e centenas de pessoas, numa noite marcada pela convocação da memória de S. Mamede como expressão maior da identidade de um povo.
No seu discurso, Ricardo Araújo sublinhou que o 24 de Junho não é apenas uma data vimaranense, mas a data fundadora de Portugal, associada ao momento em que se consolidou, a partir de Guimarães, uma vontade política autónoma que foi decisiva para o nascimento do país.
“Por isso, quando Guimarães fala do Dia Um de Portugal, não pede ao país uma homenagem cerimonial, mas antes um reconhecimento justo, inteiro e lúcido da sua própria origem”, declarou.
Ricardo Araújo enquadrou a proposta com sentido institucional e de justiça, considerando que “quando Guimarães fala do Dia Um de Portugal, não pede ao país uma homenagem cerimonial, mas antes um reconhecimento justo, inteiro e lúcido da sua própria origem”, considerou.
Considera, assim, que a celebração dos 900 anos da Batalha de S. Mamede deve ser preparada como um momento de celebração nacional.
“É por isso que temos defendido, com firmeza, serenidade institucional e sentido de Estado, que em 2028, quando se cumprirem 900 anos da Batalha de S. Mamede, o 24 de Junho deve ser celebrado como feriado nacional”, concluiu Ricardo Araújo.
Para o autarca, a valorização nacional de S. Mamede não procura colocar Guimarães acima de Portugal, antes reconhecer que “há momentos históricos cuja dimensão ultrapassa o território onde ocorreram e pertence à memória comum de uma nação”.
“Desejamos tornar claro que não celebramos S. Mamede para engrandecer Guimarães diante de Portugal. Celebramos S. Mamede para a partir de Guimarães celebrarmos Portugal”, sublinhou.
Ao longo da intervenção, o autarca estabeleceu também uma ponte entre o legado histórico de Guimarães e os desafios do presente e futuro, defendendo que se “Guimarães deu a Portugal um começo. Hoje, não podemos dar-lhe menos do que mais desenvolvimento, mais progresso e melhor futuro”.
POVO OUSOU PROCLAMAR LIBERDADE
Miguel Pinto Luz afirmou que a Batalha de São Mamede representa muito mais do que um episódio militar da História de Portugal, constituindo “a primeira afirmação do que é o ser português”.
Para o governante, foi naquele momento que um povo decidiu ousar proclamar a sua liberdade, recusando depender de poderes externos e escolhendo construir o seu próprio destino. “Evocamos hoje a nossa História, o nosso ser, a nossa fundação e a nossa portugalidade.”
Defendeu que São Mamede não deve permanecer apenas como uma memória histórica, mas transformar-se numa inspiração permanente para o país.
“Temos de trazer São Mamede para o presente, celebrá-la, estudá-la, aprendê-la e, sobretudo, vivê-la”, defendeu o ministro.
Ministro dirigiu ainda uma última mensagem aos Vimaranenses, expressando o desejo de que o espírito de São Mamede continue a inspirar “novas conquistas, novos desígnios e um novo futuro”, assente na coragem, na liberdade e na ambição.
CONDECORAÇÕES
A sessão solene integrou também um dos momentos mais simbólicos das comemorações, com a imposição das condecorações honoríficas atribuídas pelo município. Domingos Bragança foi agraciado com a Medalha de Honra do Município de Guimarães. A título póstumo, Delfim Rodrigues, Eduardo Ribeiro e Wladimir Brito foram distinguidos com a Medalha de Mérito Municipal Cívico. Antónia Oliveira Gonçalves e Joaquim Oliveira Mendes com a Medalha de Mérito Empresarial, António Dias Lopes com a Medalha de Mérito Social e o Intendente João Ramada Martins com a Medalha Municipal de Serviços Distintos – Grau Prata, numa homenagem a percursos de serviço, cidadania, empreendedorismo e dedicação à comunidade.
A cerimónia culminou com o espetáculo ‘Guimarães, Cidade Contínua – A Batalha pela Independência’, protagonizado por associações e grupos culturais locais. Entre música, teatro e imagem, o público foi conduzido por uma viagem simbólica às origens da nacionalidade e da identidade vimaranense.















