O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, protagonizou uma das declarações mais polémicas da atual pré-campanha para as eleições presidenciais de outubro, ao defender, durante um discurso público no estado de Goiás, que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro deveriam ser punidos por aquilo que classificou como atos de traição ao país.
As palavras de Lula foram proferidas, esta terça-feira, durante um evento na cidade de Catalão e tiveram como principais alvos o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que o chefe de Estado acusa de terem procurado influenciar autoridades norte-americanas contra interesses brasileiros.
Perante apoiantes, Lula afirmou que os filhos de Bolsonaro são “vendilhões da pátria” e “traidores”, acusando-os de terem pedido a intervenção de um país estrangeiro em assuntos internos do Brasil.
“Esses filhos do Bolsonaro são vendilhões da pátria. Foram pedir que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que é que merecem esses traidores?”, declarou o Presidente brasileiro.
A declaração gerou forte polémica não apenas pelo conteúdo, mas também porque contém uma incorreção histórica. Ao contrário do que afirmou Lula, quem foi executado por enforcamento foi Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, e não Joaquim Silvério dos Reis, o homem que denunciou a conspiração às autoridades portuguesas.
As declarações surgem numa altura em que a campanha para as eleições presidenciais brasileiras se intensifica e em que Lula, atualmente com 80 anos, procura assegurar um quarto mandato presidencial.
O atual chefe de Estado tem adotado um discurso mais combativo do que aquele que caracterizou campanhas anteriores, elevando o nível do confronto político com a família Bolsonaro numa corrida eleitoral que se antecipa particularmente disputada.
AçÃO CONTRA LULA
A reação da oposição não tardou. Pouco depois das declarações do Presidente, Flávio Bolsonaro anunciou a intenção de apresentar uma queixa-crime junto do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando Lula de ameaça de morte e incentivo à prática de crime.
A iniciativa representa mais um episódio de tensão entre os dois principais campos políticos brasileiros, que continuam profundamente divididos à medida que se aproxima a eleição presidencial de outubro.
A origem da indignação de Lula está relacionada com recentes decisões tomadas pelas autoridades norte-americanas que tiveram impacto direto no Brasil.
O Presidente brasileiro atribui parte da responsabilidade dessas medidas à influência de Eduardo Bolsonaro junto de figuras próximas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre as decisões que motivaram a reação do chefe de Estado brasileiro está a classificação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas globais por parte do Departamento de Estado norte-americano.
Com Executive Digest






