Portugal esgota esta quinta-feira os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, dois dias mais tarde do que no ano passado, passando a consumir “a crédito”, indicam dados da organização internacional ‘Global Footprint Network’.
No ano passado o dia em que o país esgotou os recursos foi 5 de maio, o que quer dizer que melhorou ligeiramente em sustentabilidade.
A estabilização no consumo de recursos do planeta é notada pela associação ambientalista Zero, que, num comunicado no qual comenta a pegada ecológica do país, refere a ligeira melhoria, comparando com o ano anterior.
Mas ainda assim o país começa a exceder os recursos disponíveis para alimentar o estilo de vida dos portugueses decorridos menos de cinco meses do ano. Tal quer dizer que se cada pessoa na Terra vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.
Implicaria, enfatiza a Zero, que a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial esgotar-se-ia no dia 7 de maio. E a partir daí seria necessário começar a usar recursos naturais que só deveriam ser utilizados a partir de 01 de janeiro de 2027.
A associação salienta que Portugal é há muitos anos deficitário na capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo), e aponta que a data da sobrecarga, 07 de maio, é igual à de 2022 e 2023.
Em 2024 o país tinha atingido a sobrecarga a 28 de maio e em 2025 baixou para 05 de maio, um valor aproximado ao deste ano.
MAIS GASTADORES QUE PORTUGAL
O resultado coloca Portugal na média da União Europeia (UE), que este ano teve o dia de sobrecarga em 03 de maio, uma ligeira melhoria também em relação ao ano passado.
Na UE há países que esgotaram há muito os recursos que tinham para o ano todo. Nas contas da ‘Global Footprint Network’ o consumo do Luxemburgo esgotou os recursos logo no dia 17 de fevereiro, um resultado que só é pior no Qatar, que esgotou a sua parte a 04 de fevereiro.
Do outro lado da tabela estão as Honduras, que só têm o dia de sobrecarga a 27 de novembro.
Mais gastadores do que Portugal são países como o Canadá, Estados Unidos ou Dinamarca, que esgotaram os recursos em março, ou Áustria, França ou Croácia, que começaram a usar o “cartão de crédito” em abril.
Mais sustentáveis do que Portugal são, entre muitos outros, a Alemanha, a China ou o Reino Unido e a Grécia e Espanha, ambas com 04 de junho como a data da sobrecarga. O Brasil esgota os recursos a 14 de agosto.
CULPA É DO ESTILO DE VIDA
A organização internacional explica que o dia da sobrecarga é o dia em que de 01 de janeiro a 07 de maio os portugueses consumiram tantos recursos naturais quantos os diversos ecossistemas da Terra conseguem regenerar ao longo de um ano. A partir de agora usamos mais recursos, em terra ou no mar, do que teoricamente estariam disponíveis, e emitimos mais dióxido de carbono do que a natureza pode absorver.
A Zero explica no comunicado que, de forma global, o modelo de produção e consumo que suporta o estilo de vida dos portugueses é o responsável pelo desequilíbrio. Consumo e mobilidade têm das pegadas ecológicas mais fortes.
Para reduzir a dívida ambiental, a Zero sugere medidas como a aposta numa agricultura que priorize a qualidade, a proteína vegetal ou a preservação dos solos e dos ecossistemas, a aposta no teletrabalho para reduzir deslocações e viagens, a aposta nos meios de transporte menos poluentes e públicos, e aposta na regulamentação para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis.
E cada cidadão pode contribuir, diz também a associação, reduzindo a proteína animal na alimentação, movimentando-se de forma sustentável e consumindo de forma mais circular (evitando o “usar e deitar fora”).
A pegada ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).
A 05 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a ‘Global Footprint Network’ anuncia o «Earth Overshoot Day’ de 2026, o momento em que a necessidade de recursos e serviços ambientais por parte da Humanidade excede a capacidade da Terra para regenerar esses mesmos recursos.
Em 2025 a humanidade esgotou os recursos desse ano no dia 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024, a1 de agosto.






