O Bloco de Esquerda (BE) entregou uma pergunta na Assembleia da República dirigida ao Ministério do Ambiente e da Energia, exigindo esclarecimentos sobre a autorização da passagem da 7.ª etapa da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta, prevista para 13 de agosto de 2026, pelo interior do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), incluindo a zona protegida da Mata de Albergaria.
O partido pretende conhecer o parecer emitido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que terá sustentado a autorização do percurso, bem como as medidas de proteção ambiental definidas para minimizar os impactos associados à realização da prova.
A etapa, que ligará Vieira do Minho às Termas do Gerês, atravessa uma área classificada de elevado valor ecológico, integrada na Rede Natura 2000, reconhecida como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO e sujeita a regras específicas de proteção ambiental.
A Mata de Albergaria é considerada um dos mais representativos exemplos de carvalhais galaico-portugueses da Península Ibérica, assumindo também particular relevância patrimonial pela presença de um troço da Geira Romana, com vestígios das antigas pontes e diversos marcos miliários.
Preocupações sobre impactos da prova
No requerimento apresentado, o Bloco de Esquerda alerta para os potenciais impactos associados a um evento com a dimensão logística da Volta a Portugal, que envolve centenas de veículos, equipas técnicas, organização, forças de segurança, comunicação social e concentração de público.
O partido considera que a passagem da prova numa área de proteção reforçada poderá colocar desafios relacionados com a preservação dos habitats naturais, espécies protegidas, património arqueológico e o risco acrescido de incêndio, tendo em conta que a etapa decorre durante o período de maior perigo de fogos rurais.
As preocupações têm também sido manifestadas por organizações ambientalistas, nomeadamente a FAPAS e a ZERO, que defenderam a divulgação do parecer do ICNF e da documentação técnica associada à autorização do percurso.
BE pede divulgação de parecer e avaliação ambiental
Entre as questões dirigidas ao Governo, o Bloco de Esquerda pretende saber se o ICNF emitiu efetivamente parecer ou autorização para a passagem da prova pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, se esse documento será tornado público e se foi realizada uma avaliação dos impactos ambientais da iniciativa.
O partido questiona ainda quais foram as conclusões dessa eventual avaliação e que medidas de mitigação, acompanhamento e monitorização foram impostas à organização da prova para prevenir ou reduzir possíveis danos ambientais.
Para o BE, a realização de eventos em áreas classificadas exige “rigor, transparência e responsabilidade”, defendendo que qualquer autorização deve ser devidamente fundamentada e compatível com os objetivos de conservação que justificaram a classificação do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Defesa do único Parque Nacional português
O partido sublinha que o PNPG, enquanto único Parque Nacional existente em Portugal, representa um património natural de importância nacional e internacional, cuja proteção deve prevalecer perante interesses temporários ou circunstanciais.
O Bloco de Esquerda considera que as áreas protegidas não podem ser utilizadas como palco de eventos sem uma avaliação rigorosa dos seus impactos, defendendo o cumprimento integral das normas de conservação e dos limites definidos para a salvaguarda dos valores naturais e patrimoniais existentes.
A polémica surge assim em torno do equilíbrio entre a realização de uma das principais provas desportivas nacionais e a preservação de uma das zonas ambientais mais emblemáticas do território português.






