O líder parlamentar e secretário-geral do PSD, Hugo Soares, afirmou que o antigo primeiro-ministro Passos Coelho deu “um tiro ao lado” na crítica efetuada à nomeação do ex-diretor da PJ, Luís Neves, para ministro da Administração Interna.
“Na maioria das vezes, [Passos Coelho] é um extraordinário analista político e um extraordinário político. Desta vez, enganou-se profundamente. É manifestamente um tiro ao lado. Não vejo nenhum problema nesta nomeação”, disse, em entrevista à Rádio Renascença e ao jornal diário Público.
Para Hugo Soares, que recorda ter sido líder parlamentar do antigo presidente do PSD, “se houve escolha altamente elogiada, praticamente de forma unânime, foi esta”.
“A PJ responde perante o Governo. É um organismo da Administração Pública, com particularidades, mas não há problema nenhum em alguém que é funcionário do Estado poder ser nomeado ministro. Pelo contrário. É até um bom exemplo de valorização dos seus quadros”, continuou.
O deputado do PSD considerou que “a comparação que [Passos Coelho] fez com a saída do Governo de Mário Centeno, no tempo de António Costa, para governador do Banco de Portugal, é completamente ao lado”, pois, “uma coisa é alguém que é funcionário do Estado poder ser nomeado ministro, outra coisa é alguém que é ministro de um Governo partidário sair da área que tutela para supervisionar precisamente a área que tutelava”.
“Pedro Passos Coelho está manifestamente equivocado na análise que faz”, disse Hugo Soares, frisando ter por Passos Coelho “uma grande consideração” porque “foi um homem extraordinário no tempo em que governou”.
Na terça-feira, Passos Coelho considerou “um precedente grave” a passagem direta de Luís Neves de diretor nacional da PJ para ministro da Administração Interna, comparando-a à saída de Mário Centeno do Governo para o Banco de Portugal.
Numa conferência organizada pela SEDES e pela AEP, no Porto, em som captado pela rádio Observador, Passos Coelho, numa passagem da sua intervenção sobre a importância da independência dos reguladores e a separação de poderes, referiu-se em concreto à nomeação de Neves, que tomou posse na segunda-feira como ministro da Administração Interna, o terceiro nos dois executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro.
“Eu bem sei que, seguramente, a intenção que o primeiro-ministro teve ao convidar o ex-diretor da PJ para ministro da Administração Interna se baseou na melhor das intenções. Não tenho dúvida disso. Mas o precedente é grave”, disse.


