O Movimento Dignidade Académica (MDA) denunciou esta segunda-feira a “situação persistente e generalizada de degradação” das condições estruturais nos campi da Universidade do Minho (UMinho) e anunciou o lançamento de um abaixo-assinado para exigir “condições dignas” naquela academia.
Contactada pela Lusa, a equipa reitoral da UMinho refere que está em curso um levantamento “detalhado” das necessidades em todos os espaços da academia, “para agilizar e planear intervenções de forma eficaz e coordenada”.
Segundo o MDA, os problemas têm “especial incidência” no Campus de Gualtar, em Braga, sendo “um dos exemplos mais claros” o edifício do Complexo Pedagógico 1, “onde, sempre que ocorrem períodos de chuva intensa, surgem infiltrações graves”.
Naquele espaço, aponta “água a escorrer por paredes e tetos, baldes distribuídos por corredores e salas, humidade persistente, tetos falsos deteriorados ou inexistentes e equipamentos de iluminação em risco de queda”.
“Estas situações não são pontuais nem recentes. Repetem-se ano após ano sem solução estrutural visível e comprometem diretamente a realização de aulas, avaliações, investigação e atividades académicas”, critica.
O MDA, que conseguiu recentemente representação no Conselho Fiscal da Associação Académica da Universidade do Minho, diz ainda que os problemas se estendem a vários espaços universitários, apontando, como exemplos, casas de banho frequentemente inoperacionais ou sem condições de higiene adequadas e a falta ou avaria recorrente de equipamentos básicos de apoio ao estudante, como micro-ondas em zonas de refeição.
INFRAESTRUTURAS ENVEKHECIDAS
Espaços sem condições de salubridade devido a humidade persistente, infraestruturas envelhecidas e manutenção reativa em vez de preventiva e parques de estacionamento “manifestamente insuficientes” face ao número de utilizadores e falhas no cumprimento dos contratos estabelecidos são outros dos problemas elencados.
“Uma universidade democrática, inclusiva e participativa depende não apenas da qualidade pedagógica ou científica, mas também das condições materiais que permitem estudar, investigar e trabalhar com segurança e dignidade. Contudo, aquilo que deveria constituir o mínimo garantido à comunidade académica tem vindo a deteriorar-se de forma contínua e visível”, diz ainda o movimento.
No abaixo-assinado, o MDA exige diagnóstico técnico transparente e público do estado estrutural dos edifícios, plano calendarizado de intervenção e reabilitação, comunicação regular com a comunidade académica sobre as obras, garantia de condições mínimas de segurança e salubridade nos espaços letivos e esclarecimento sobre as medidas previstas para a resolução dos problemas de estacionamento e prazo expectável para a sua normalização.
A equipa reitoral da UMinho, que tomou posse em dezembro de 2025, refere que uma das suas prioridades é a modernização e manutenção das infraestruturas da instituição.
“Está em curso um levantamento detalhado das necessidades em todos os espaços da academia, para agilizar e planear intervenções de forma eficaz e coordenada. Este esforço pretende garantir condições adequadas de trabalho, estudo e investigação, reforçando o compromisso com a excelência académica e o bem-estar da comunidade”, sublinha.
Acrescenta que, no domínio das infraestruturas, prosseguem investimentos relevantes, como as residências estudantis na Fábrica Confiança (Braga) e em Santa Luzia (Guimarães), as intervenções em equipamentos culturais, o reforço do Data Center, os projetos de eficiência energética e a aquisição de viaturas elétricas.







