Em declarações aos jornalistas, antes de uma ação de campanha no quartel dos bombeiros de Vila Verde, Ventura criticou o montante máximo anunciado para os agregados familiares, fixado entre 537 euros por pessoa e cerca de 1.077 euros por agregado. “Queremos que as pessoas vão para a miséria e não saiam de lá? Queremos atirar as pessoas ainda para mais pobreza?”, questionou.
O líder do Chega afirmou que os valores são manifestamente insuficientes face à dimensão dos prejuízos registados em várias regiões do país. “Temos pessoas que perderam tudo, casas, bens, meios de subsistência, e o Governo diz-lhes que o limite de apoio são 500 e poucos euros”, criticou.
Críticas à distribuição das verbas
Ventura mostrou-se igualmente insatisfeito com a forma como o montante global anunciado pelo Governo — cerca de 2,5 mil milhões de euros — será distribuído. Segundo o candidato presidencial, a maior fatia destina-se às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), à Infraestruturas de Portugal e a linhas de crédito, ficando uma parte residual para os apoios diretos às famílias.
“De um bolo de 2,5 mil milhões, a maior parte é para estruturas políticas e para endividar as pessoas, e depois para as pessoas estabelece-se um limite de 537 euros”, afirmou, acrescentando que “estas pessoas não podem ter crédito porque não conseguem pagar”.
O dirigente do Chega criticou ainda a exigência de vistorias por parte das CCDR como condição para a atribuição de apoios à reconstrução de habitações danificadas. “As CCDR não se conseguem pôr a funcionar elas próprias e vão agora fazer vistorias às casas?”, questionou, considerando o processo excessivamente burocrático e desadequado à urgência da situação.
Defesa de resposta imediata
Para André Ventura, a resposta do Estado deveria centrar-se na intervenção direta e imediata junto das populações afetadas. “O que as pessoas precisam neste momento não é de CCDR, nem de papelada, nem de créditos para se endividarem mais. As pessoas precisam de apoio agora”, afirmou.
O candidato defendeu a mobilização de meios do Estado, incluindo forças militares, autarquias e estruturas sociais, para apoiar diretamente a reconstrução. “Metam todas as estruturas que temos a transportar telhas para as pessoas que precisam, a reparar casas, a ajudar as famílias”, sugeriu.
Ventura rejeitou o argumento de que o controlo rigoroso dos apoios deva atrasar a resposta. “É evidente quando uma casa não tem telhado. Não é preciso uma grande vistoria para perceber isso”, disse, acrescentando que eventuais fraudes devem ser combatidas posteriormente, sem comprometer a rapidez da ajuda.
“Mais valia o Governo ter ficado em silêncio”
O líder do Chega considerou ainda que o anúncio governamental acabou por agravar a indignação das populações. “Para isto, mais valia ao Governo ter ficado em silêncio”, afirmou, defendendo que o Executivo deveria ter apresentado um plano assente em apoios diretos e não em empréstimos.
“Depois de andarmos a falar de almofadas financeiras e de contas certas, quando as pessoas mais precisam damos-lhes 500 euros. Isto envergonha-nos a todos”, concluiu, reiterando que transmitirá estas críticas ao primeiro-ministro quando tiver oportunidade.
As declarações de André Ventura surgem num contexto de forte debate político em torno da resposta do Governo às consequências da depressão Kristin, que provocou danos significativos em habitações, infraestruturas e atividades económicas em várias regiões do país.






