A polícia australiana encontrou restos mortais durante as buscas por um avô de Sydney que, segundo referiram, foi sequestrado por engano há quase duas semanas. O viúvo identificado como Chris Baghsarian, de 85 anos, foi retirado à força de casa, em North Ryde, pouco antes do amanhecer a 13 de fevereiro, com imagens de videovigilância a captarem um grupo de homens mascarados a meterem-no numa carrinha SUV.
A autoridade revela, citada pela BBC, que o incidente tratou-se de um caso de troca de identidade, e os meios de comunicação locais reportaram que o alvo era um homem com ligações a uma família criminosa ou os seus familiares.
“Estamos todos indignados que isto possa acontecer a um homem inocente”, referiu o superintendente interino da polícia, Andrew Marks esta terça-feira, acrescentando: “Falo não só pela polícia, mas pelo público em geral, estamos revoltados… com a imprudência dessas pessoas.”
Os detetives explicaram que a investigação está agora focada em identificar os restos mortais e determinar como é que um avô normal acabou vítima de um crime que teria como foco um membro de um gangue muito mais novo e que o homem nem conhecia.
O QUE ACONTECEU
Numa madrugada de fevereiro, um SUV de cor escura parou numa rua residencial tranquila. Imagens de câmaras de videovigilância captaram o momento em que vários homens saem do veículo e desaparecem dentro de uma casa, antes de voltarem a aparecer no vídeo a carregar um homem que se debatia nos seus braços.
Cerca de 36 horas depois do sequestro, a polícia revela que o homem levado é Chris Baghsarian e faz o primeiro de vários apelos públicos pelo seu retorno em segurança. Reforçaram ainda que tinham “a certeza absoluta” que o grupo tinha levado o homem errado e que nem Chris nem a família tinham qualquer ligação com o crime organizado.
“O facto de estes criminosos – sequestradores – terem errado é preocupante”, referiu o superintendente na altura.
As autoridades divulgaram ainda uma fotografia do idoso sorridente e pediram para que os captores o libertassem, alegando que precisava de medicação diária para sobreviver.
Em comunicado, a própria família de Chris recordava que este era um “pai, irmão, tio e avô dedicado”. “É profundamente amado, gentil e a pessoa mais bondosa que conhecemos, alguém que jamais faria mal a uma mosca”, referiam, acrescentando estar a tentar entender “como é que foi levado” e como é que a família foi “envolvida” em algo que nada tinha a ver com eles.
Com o passar dos dias, a polícia afirmou não ter recebido nenhum pedido de resgate pelo avô, mas começaram a circular mensagens e vídeos no submundo de Sydney, supostamente a mostrar Chris vestido com o pijama com que foi sequestrado e com ferimentos graves.
PEDIDO DE RESGATE
Entre as mensagens, havia também um pedido de resgate de 50 milhões de dólares australianos (cerca de 30 milhões de euros) endereçado a um homem que morava nas proximidades.
À medida que os apelos das autoridades para o retorno do homem se intensificavam, o primeiro-ministro do estado australiano de Nova Gales do Sul, Chris Minns, sugeriu que os sequestradores poderiam “deixá-lo num centro comercial, num centro de saúde ou até mesmo num lar de idosos”.
Vários dias depois do rapto, dois carros em chamas foram encontrados noutro subúrbio de Sydney, o que levou a um avanço no caso. Um dos carros, que a polícia acredita que tenha sido roubado, tinha um tapete com sangue, que a polícia conseguiu ligar a Chris.
Na manhã desta terça-feira, a polícia confirmou ter encontrado restos mortais perto de um campo de golfe nos arredores de Sydney, em Pitt Town. Recusaram-se a fornecer detalhes sobre o estado em que o corpo foi encontrado, mas afirmaram que será feita uma autópsia para determinar a causa da morte.
De acordo com o jornal Sydney Morning Herald, os casos de troca de identidade tornaram-se mais comuns no submundo de Sydney, à medida que as grandes redes de crime organizado subcontratam cada vez mais para crimes.







