A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou este domingo para a manutenção de um quadro meteorológico “bastante severo”, com elevada probabilidade de cheias e impactos significativos nos caudais dos rios em várias regiões do país.
Em conferência de imprensa realizada pelas 17h00, o porta-voz da ANEPC sublinhou que os efeitos mais preocupantes poderão verificar-se nas bacias hidrográficas do Vouga, Mondego, Douro e Tejo, embora o risco se estenda “de Norte a Sul do território continental”.
“O solo não tem mais capacidade de retenção de água”, afirmou, acrescentando que a situação já ultrapassa a fase de incerteza. “A questão não é se vamos ter um problema, mas sim quando vamos ter”, advertiu, referindo-se à forte probabilidade de cheias e inundações nos próximos dias.
População em zonas inundáveis sob especial aviso
A Proteção Civil tem vindo a reforçar os alertas dirigidos à população residente em zonas historicamente vulneráveis a inundações, apelando à adoção de medidas preventivas. Paralelamente, estão a ser desenvolvidas ações de prevenção operacional, com o “pré-posicionamento” de equipas de socorro para garantir maior proximidade às áreas potencialmente afetadas.
Entre as medidas recomendadas às populações em risco, a ANEPC destaca soluções simples, como a colocação de sacos de areia junto às portas e entradas das habitações, de forma a minimizar a entrada de água.
APA fala em “semana muito difícil”
Também a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) manifestou preocupação com a evolução da situação hidrológica. O presidente da entidade, José Pimenta Machado, afirmou este domingo, em declarações à RTP, que se antevê uma “semana muito difícil” no que respeita à gestão das barragens e dos caudais dos rios.
Segundo responsável, a precipitação intensa registada nos últimos dias, aliada ao encharcamento dos solos e à previsão de novos episódios de chuva forte para a próxima madrugada e para quinta-feira, coloca uma pressão acrescida sobre as infraestruturas hidráulicas e os sistemas de controlo dos caudais.
“A conjugação destes fatores exige uma atenção extrema”, sublinhou, reforçando a necessidade de acompanhamento permanente da evolução meteorológica e hidrológica.
As autoridades apelam à população para que acompanhe as informações oficiais, evite deslocações desnecessárias em zonas de risco e adote comportamentos preventivos, numa altura em que o país enfrenta um período de instabilidade meteorológica prolongada e potencialmente perigosa.






