A semana política que agora termina, ficou marcada em Braga pelo debate em torno da linha vermelha do BRT, uma questão que parecia resolvida no Executivo de Ricardo Rio, mas que o atual, presidido pelo também social democrata João Rodrigues atirou para o caixote de lixo. A abertura de uma Circular Urbana, foi outro dos temas em destaque. Medidas que, no parecer do Bloco de Esquerda, não resolvem coisa alguma, ao contrário de um “investimento massivo” nos transportes públicos coletivos.
O Bloco de Esquerda (BE) junta-se à oposição ao Executivo PSD/CDS/PPM nas críticas à linha vermelha do BRT (transporte rápido por autocarro) para recordar o que há um ano dizia: “o BRT não resolve qualquer problema de fundo, uma vez que não retira os automóveis da cidade”.
E para o BE “esta é a questão fulcral”. “Não é por construir mais vias de circulação que os problemas do trânsito desaparecem” numa cidade que “para chegar à média europeia de utilização diária de carros por habitante, teria de tirar um terço dos carros do centro da cidade; e para chegar às cidades com melhores práticas de mobilidade, dois terços”.
No comunicado ao PressMinho/“O Vilaverdense”, a Comissão Coordenadora Concelhia do BE refere que estudos indicam que apenas 2% do trânsito no centro de Braga é de atravessamento, pelo que a criação de uma circular externa à cidade, anunciada pela autarquia, “não ataca o problema de fundo”, além de que o projeto não melhora o acesso ao hospital [o que João Rodrigues nega] nem alivia o tráfego no centro da cidade, “os dois grandes pontos negros da mobilidade em Braga”.
Assumindo que as medidas não agradarão a todos, o BE diz que para facilitar a mobilidade pedonal, as medidas passam por “percursos contínuos, passeios com pisos regulares, passadeiras elevadas e mais frequentes, com sinalização vertical e horizontal adequada, bem como uma rede articulada para veículos suaves e transportes públicos com prioridade face ao transporte individual”.
INVESTIMENTO MASSIVO
O Bloco defende, ainda, vias próprias para os transportes públicos, que permitam o cumprimento dos horários, uma rede articulada TUB–CP, mais transportes suburbanos e interconcelhios, melhor informação aos utilizadores, passes intermodais e o alargamento da rede e da frequência das carreiras.
“No entanto, aquilo que tem de ser feito — por mais impopular que seja — é reduzir drasticamente a quantidade de veículos ligeiros a circular nas vias da cidade. Tal só pode ser alcançado com um investimento massivo na rede de transportes públicos coletivos e com a limitação do acesso de veículos ligeiros a zonas com elevada pressão de tráfego”, afirma o partido.
PÉSSIMA SOLUÇÃO
Os bloquistas dizem também que os 100 milhões de euros para o BRT suportados pelo PRR “poderia ser canalizado para as obras necessárias, não fossem as más opções da coligação que governou e governa a Câmara”.
“Se outras opções estivessem a ser colocadas, o apoio comunitário seria aplicado para esses fins e não se desperdiçava essa oportunidade, pela péssima solução escolhida”, atiram.
Dizendo desconhecer os pareceres técnicos que sustentam as decisões que a Câmara tem vindo a tomar em matéria de mobilidade”, o BE frisa que “é tempo de ouvir os especialistas que conhecem Braga — e sabemos que não são estas as soluções que apontam”.
Fernando Gualtieri (CP 7889)





