Cerca de 25 mil alevins de truta fário foram libertados no rio Âncora por iniciativa do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em colaboração com a Câmara Municipal de Viana do Castelo e com as juntas de freguesia ribeirinhas, dando “um novo impulso de vida” ao curso de água.
Os espécimes agora libertados foram capturados no seu troço superior, na vertente ocidental da Serra de Arga. Sendo descendem de trutas do próprio rio Âncora, fica garantida a preservação das características genéticas da população local e potenciar a probabilidade de sobrevivência dos alevins libertados.
António Martinho, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, explicou que “os reprodutores foram capturados no rio Âncora, designadamente no seu troço superior, na freguesia de S. Lourenço da Montaria, e mantidos em cativeiro no Posto aquícola do Torno (Ansiães, Serra do Marão, Amarante), num processo de adaptação inicial muito exigente”.
RESULTADOS MUITO POSITIVOS
A primeira progénie de truta-de-rio proveniente do rio Âncora foi produzida em 2023, tendo sido então introduzidos cerca de cinco mil exemplares.
No ano seguinte, foi possível reforçar essa intervenção com mais 15 mil, repetindo a mesma metodologia. As ações não têm de ocorrer exatamente nos mesmos locais, é sobretudo importante garantir uma boa distribuição ao longo do rio. No entanto, os melhores resultados verificam-se nas zonas onde a qualidade da água é mais elevada, nomeadamente nas fases superior e intermédia do rio.
“Em zonas com elevada qualidade ecológica, como esta, encontram-se condições ideais para o crescimento da espécie”, indicou António Martinho.
“Esta ação insere-se numa estratégia de conservação mais ampla, sustentada em conhecimento técnico-científico e monitorização no terreno. Esta abordagem integra-se num modelo de conservação desenvolvido pelo ICNF, que gere atualmente 20 stocks de reprodutores de truta-de-rio (Salmo trutta), representativos da genética de boa parte do Norte de Portugal”, acrescentou
Assegura que “a metodologia aplicada, baseada na introdução de alevins em fases precoces, tem demonstrado resultados muito positivos.
APOIO MUNICIPAL
A largada, que contou com a participação da vereadora do Ambiente, Fabíola Oliveira, foi realizada em oito locais diferentes ao longo do rio, escolhidos por oferecerem as melhores condições ecológicas para que estas trutas cresçam e sobrevivam.
Fabíola Oliveira destaca a importância crucial desta articulação interinstitucional, envolvendo a Câmara e as juntas de freguesia, expressando “total disponibilidade do município para aprofundar a estreita colaboração com o ICNF, em três dimensões fundamentais: na concertação de estratégias de gestão dos habitats e ecossistemas ribeirinhos e aquáticos; na disponibilização de meios técnicos, estruturas e equipamentos de apoio à investigação e monitorização e na promoção da sensibilização e educação ambiental, em proximidades com as populações”.
Num contexto de crescente pressão sobre os ecossistemas aquáticos e ribeirinhos — desde a poluição, à pesca excessiva e a outros fatores de degradação dos habitats, potenciados pelas alterações climáticas —, a truta fário, espécie emblemática dos rios de montanha, assume “um papel fundamental enquanto indicador da qualidade da água e do estado ecológico dos rios”.
A largada de alevins no rio Âncora representa, assim, uma medida ativa de reforço das populações piscícolas, contribuindo para a recuperação de efetivos naturais, o aumento da biodiversidade e a promoção da sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos.







