O capitão russo de um cargueiro português que colidiu com um petroleiro no Mar do Norte em março de 2025, causando a morte de uma pessoa, foi considerado hoje culpado de homicídio involuntário pela justiça britânica.
Vladimir Motine, 59 anos, que estava a ser julgado desde 12 de janeiro em Londres, foi considerado culpado pela morte de um membro da sua tripulação, o filipino Mark Angelo Pernia, pelos jurados do Tribunal Criminal Central de Londres, após oito horas de deliberações.
O ‘Solong’, cargueiro com bandeira portuguesa, mas operado por uma empresa alemã, colidiu em pleno dia, a 10 de março de 2025, com um petroleiro fretado pelo exército dos Estados Unidos, o ‘Stena Immaculate’, então ancorado a cerca de 20 quilómetros da costa nordeste de Inglaterra.
Segundo o advogado de defesa, James Leonard, o arguido avistou o petroleiro quando se encontrava a uma distância de três milhas marítimas (5,5 quilómetros) e tentou desativar o dispositivo de piloto automático para alterar manualmente a trajetória para evitar a colisão.
“Esta tentativa, no entanto, não foi bem-sucedida e o ‘Solong’ não mudou de rumo”, admitiu o advogado, rejeitando a versão do procurador Tom Little, que alegou que Motine, que trabalhava no cargueiro desde 2015, “não fez nada para evitar a colisão”.
No entanto, segundo os cálculos da defesa, a uma velocidade de 15,5 nós, o ‘Stena Immaculate’ deveria ter aparecido no ecrã do radar do ‘Solong’ cerca de 36 minutos antes da colisão.
Durante o julgamento foram reproduzidas gravações de áudio provenientes da sala de controlo do ‘Solong’ e feita uma reconstituição da trajetória do navio em direção ao ‘Stena Immaculate’.
Uma hora antes da colisão, ouvem-se homens a falar em russo sobre o preço dos cigarros. Em seguida, ouve-se o que parece ser um toque de telefone, uma canção folclórica russa, que fica sem resposta.
À medida que o ‘Solong’ se aproximava do petroleiro, não é audível qualquer conversa na sala de controlo e apenas se ouve uma tosse a menos de uma milha náutica da colisão.
Após a colisão, ouve-se a conversa de Vladimir Motine com a guarda costeira britânica, na qual ele confirma que há um incêndio.
Às 09h58, nove minutos após a colisão, o capitão diz: “Um homem continua desaparecido” e “Vamos, vamos, vamos, abandonem o navio!”.
A única vítima mortal foi Mark Pernia, um marinheiro filipino de 38 anos da tripulação do ‘Solong’, cujo resgate foi impossibilitado devido às chamas na zona onde se encontrava.
O capitão terá escrito uma mensagem à sua mulher pela plataforma WhatsApp, na qual explicou que tinha ocorrido um grave acidente e que ele era “culpado”.
Os 23 tripulantes do ‘Stena Immaculate’ conseguiram chegar a terra firme, assim como os 13 sobreviventes do ‘Solong’, mas foram necessários vários dias para controlar os incêndios registados nos dois navios.
Mais de 17 mil barris dos cerca de 220 mil barris de combustível de aviação de querosene carregados pelo ‘Stena Immaculate’ foram derramados no mar ou consumidos pelas chamas, de acordo com a empresa norte-americana Crowley, que explorava o petroleiro.
Embora tenha sido evitada uma maré negra, a colisão provocou a dispersão de numerosos grânulos de plástico do ‘Solong’, no mar e nas costas da região de Yorkshire, que abriga várias reservas naturais.
A Ernst Russ, empresa alemã proprietária do cargueiro, e a Crowley, empresa norte-americana que explorava o petroleiro, apresentaram queixa uma contra a outra.






