O homem acusado de matar um jovem junto ao bar académico da Universidade do Minho, em Braga, apresentou, na fase de inquérito, versões diferentes, alegando nada ter a ver com os factos e depois ter agido em legítima defesa.
Na primeira sessão de julgamento, que arrancou esta segunda-feira no Tribunal de Braga, após o arguido se remeter ao silêncio, a procuradora do Ministério Público (MP) requereu a reprodução das declarações proferidas pelo homem em primeiro interrogatório judicial, em 19 de abril de 2025, e, posteriormente, em interrogatório complementar, realizado em 8 de julho de 2025.
No primeiro interrogatório judicial, o arguido, que está em prisão preventiva, afirmou que nem ele nem os amigos com quem estava na madrugada de 12 de abril de 2025 tiveram a ver com os factos, acrescentado que se limitou, numa primeira fase, a presenciar, na zona de fumadores do bar, “uma briga feia com muita gente envolvida”.
Segundo esta versão, os seguranças do bar colocaram fim à contenda e ele e os amigos continuaram a “curtir” no interior do bar.
Cerca das 05h00, o arguido contou que ele e os amigos abandonaram o espaço e no exterior estavam dois grupos em confrontos, tendo visto “um ‘gajo’ com uma faca”.
O homem diz que contornou a confusão e seguiu para o carro onde já estavam os seus amigos, seguindo para a sua casa, no Porto.
Ainda durante o primeiro interrogatório judicial, é perguntado ao arguido a razão pela qual duas testemunhas, que não o conheciam, identificaram-no como o autor das facadas que mataram a vítima, tendo respondido não saber.
O arguido foi confrontado também com o facto de o seu relógio ter sido encontrado no local da contenda, respondendo: “não faço ideia”.
Versão diferente desta apresentou cerca de três meses depois, em interrogatório complementar, perante o MP.
O arguido relatou que chegou ao bar académico pela 01h00, acompanhado de amigos, três rapazes e duas raparigas. Cerca das 02h30, ocorreu uma confusão no interior, mas nem ele nem os amigos estiveram envolvidos, permanecendo na festa, após os seguranças terem posto termo à discussão.
Segundo o documento lido esta segunda-feira em tribunal, com a versão apresentada pelo arguido no interrogatório complementar, pelas 05h00 saiu da festa e no exterior do bar encontrou a vítima com um amigo que vinha com uma faca na mão, dirigindo-se a um dos seus amigos. Este deu-lhe um soco, “o que fez com que a faca caísse ao chão”.
Segundo o homem, foi nessas circunstâncias que viu a vítima vir a correr na sua direção, pelo que apanhou a faca e usou-a “de forma que não consegue precisar”, deixou cair a faca e fugiu.
Negou que antes das facadas, o arguido ou algum dos seus amigos tivessem garrafas nas mãos e as tivessem atirado na direção do falecido ou dos seus amigos, lê-se no depoimento.
Durante a manhã, foram também reproduzidas duas conversas telefónicas entre o arguido e a namorada, numa das quais o homem assume querer ser julgado no Brasil, alegando legítima defesa, mostrando-se esperançado que estaria em liberdade após dois anos e meio.
O julgamento continua à tarde com a inquirição de inspetores da PJ.
Segundo a acusação do MP, os factos começaram às 01h18, num dos espaços interiores do Bar Académico da Universidade do Minho, quando a vítima confrontou um dos elementos que integravam o grupo do arguido, por ter tido a perceção de que um deles teria adulterado a bebida de uma jovem cliente do estabelecimento.
Posteriormente, já na via pública, em frente ao bar, “iniciou-se uma contenda, com confrontos físicos”.
“Nesse contexto, o arguido, na posse de uma faca e empunhando e brandindo a mesma, avançou de encontro ao ofendido, que estava desarmado e, uma vez junto deste, desferiu-lhe três golpes, atingindo-o mortalmente”, acrescenta a acusação.






