Milhares de pessoas saíram este sábado à rua em Lisboa e no Porto para protestar contra o pacote laboral ‘Trabalho XXI’. Os manifestantes, convocados pela CGTP, exigem a retirada imediata da proposta do Governo de Luís Montenegro, classificando-a como uma regressão nos direitos de quem trabalha.
Na capital, o percurso entre o Cais do Sodré e o Rossio foi preenchido por uma moldura humana que, durante pouco mais de uma hora, entoou palavras de ordem como “É só mais um empurrão e o pacote vai ao chão” e “o público é de todos, o privado é só de alguns”.
A manifestação contou com a presença do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que se juntou aos trabalhadores para reforçar a oposição política ao projeto. Raimundo sublinhou a necessidade de uma rutura com as políticas que “fragilizam a contratação coletiva” e manifestou solidariedade com a luta sindical.
Ao seu lado, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, reiterou que este pacote é “negativo para o mundo do trabalho” e acusou o Governo de ter no Chega e na Iniciativa Liberal um “braço armado” para prosseguir esta agenda. “Exigimos discutir a melhoria das condições de vida com propostas concretas de alteração à legislação em vigor”, afirmou Oliveira.
Também mo Porto, centenas de manifestantes concentraram-se para dar voz ao descontentamento do norte do país, replicando as exigências de melhores salários e da revogação das normas que facilitam a precariedade.
O anteprojeto ‘Trabalho XXI’ tem sido o principal ponto de fricção entre o executivo PSD/CDS-PP e as centrais sindicais, tendo já motivado uma greve geral em 11 de dezembro de 2025. Embora as confederações empresariais aplaudam a reforma, os sindicatos mantêm-se intransigentes.
Na última segunda-feira, a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, indicou a existência de alguns “consensos técnicos” em áreas como a inteligência artificial e a parentalidade, mas o fosso político permanece largo.
A próxima terça-feira será decisiva, com a realização de uma reunião plenária de Concertação Social.







